Sindicato de Ladrões

Celebrado como um dos maiores filmes americanos de todos os tempos, ocupando, inclusive, a posição número 19 no ranking de melhores longas do American Film Institute, Sindicato de Ladrões realmente merece tamanha notoriedade. Destaca-se por seu pioneirismo, conferido pelo forte roteiro de Malcolm Johnson e Budd Schulberg - ao abordar temas complexos e escandalosos num momento em que a América enfrentava o Macarthismo – e pelas atuações impressionantes de um dos melhores elencos já reunidos para fazer cinema em Hollywood.

Sindicato de Ladrões é um longa que trata de situações comuns ao universo humano – e de que maneira elas podem atingir aqueles que prezam pela verdade e pela justiça. Apontado como um trabalho muito particular de Elia Kazan – diretor que foi simpático às causas comunistas, e que, a certa altura da carreira, desvencilhou-se bruscamente dos antigos ideais – o filme é um retrato cruel sobre a vida nas docas da cidade de Nova Iorque, num momento em que a máfia dominava a região e impunha regras opressivas sobre aqueles que se deixavam subordinar. Terry Malloy (Marlon Brando) é um destes trabalhadores, com uma exceção que faz toda a diferença: como um ex-pugilista que ganhou a confiança do mandante corrupto (Lee J. Cobb), Malloy trabalha diretamente com os bandidos e aceita as imposições do sistema – do qual seu irmão mais velho (Rod Steiger) também faz parte. Utilizado como peça numa emboscada para um delator, Tony Doyle, que traiu os comparsas denunciando parte de suas falcatruas, Malloy não percebe, de imediato, o quão arrisca sua dignidade pela corrupção e ilegalidade. Só vem tomar consciência disto quando se apaixona pela irmã do morto, Edie Doyle (Eva Marie Saint) e se envolve com o padre Barry (Karl Malden), homem determinado a dar fim à máfia nas redondezas. 

Sindicato de Ladrões traz inúmeras curiosidades que o transformam numa produção bastante curiosa. Elia Kazan teria enfrentado uma situação parecida com a de Malloy, ao deixar o Partido Comunista. Receoso pela “caça às bruxas” efetuada pelo senador Joseph McCarthy, um contrário àquilo que chamavam de “ameaça vermelha” (leia-se que EUA e Rússia viviam o auge da Guerra Fria), Kazan teria denunciado diversos colegas de seu partido, em busca de clemência. O resultado pareceu ainda mais vantajoso – já que o filme, que lhe deu o Oscar de direção (além de faturar outros 7) – representou uma inclusão definitiva do diretor na sociedade americana. Muitos acusam Sindicato de Ladrões pela arbitrariedade – já que Kazan teria usado a história como pano de fundo para sua redenção. Se Malloy está disposto a denunciar a corrupção da docas, em busca de condições mais dignas de trabalho para seus companheiros, Kazan parece defender, com muita ênfase, que o Partido Comunista nada mais era que um mero engano em sua carreira. Polêmicas à parte, os efeitos que qualquer uma das posições  desencadeou (seja de Malloy ou de Kazan) foram suficientemente agressivos para permanecer em nossa mente após o término da fita.

Há ainda, uma visível e magnífica maneira de se reproduzir o roteiro, denominada por muitos estudiosos como “neo-realismo” – uma corrente cinematográfica que surgira na Itália e penetrara no cinema americano a partir de Sindicato de Ladrões - de maneira devastadora. Queria-se a maior proximidade possível do que acreditava-se ser o real, e isto está impresso em cada tomada do longa. Os atores, diante deste novo estilo, receberam espaço de sobra para fazer de suas atuações algo bem acima da média. Marlon Brando, adepto do “Método” e discípulo do Actor’s Studio, imprimiu o realismo necessário à construção de seu magnífico personagem – e mesmo que sua atuação (vencedora do Oscar) seja apontada como a mais sublime do longa, há de se apontar os desempenhos tocantes e igualmente verossímeis de Eva Marie Saint (ganhadora do prêmio de atriz coadjuvante), Lee J. Cobb, Rod Steiger e Karl Malden (todos nomeados para o Oscar).

Quando ouvir que Sindicato de Ladrões possui um dos melhores roteiros de todos os tempos, não se dê ao luxo de ser cético. Numa época em que as zonas portuárias dos EUA sofriam com centralização de poder, corrupção e a intolerância, Elia Kazan se arriscou na construção de um filme que defende, em suma, os valores humanos – entre eles a coragem de se levantar contra um sistema opressor e partir em busca da verdade. Com sequências memoráveis (não apenas o encontro de Brando e Steiger, num táxi - no qual se insere o diálogo “You don’t understand. I could had class. I could been a contender. I could been somebody, instead of a bum, which is what I am, let’s face it. It was you, Charley”, apontado como um dos mais famosos da história de Hollywood – mas também pelos monólogos inesquecíveis de Malden, pelo desfecho magnetizante e pelas cenas românticas entre Brando e Saint), Sindicato de Ladrões oferece-nos um painel ambicioso sobre o momento exato de um homem deixar a omissão e lutar por seus interesses. Terry Malloy é, portanto, um dos mais famosos e queridos heróis hollywoodianos.

On The Waterfront – EUA – 1954 – Direção: Elia Kazan – Elenco: Marlon Brando, Eva Marie Saint, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Karl Malden – 108 min – Gênero: Drama

NOTA: 10,0   

Educação

Certamente, quando assistir à Educação, você irá se perguntar: este tema, que trata da transição de uma garota para o mundo adulto, já não foi abordado em outro filme? Ritos de passagem, nos quais mocinhas ingênuas se transformam em mulheres experientes, já não foram exaustivamente desenvolvidos em outros roteiros? Talvez Educação não possa gabar-se de ser original, mas com certeza traz uma perspectiva diferenciada sobre o assunto. Una isto a um elenco formidável e a uma direção firme (porém pouco inovadora) de Lone Scherfig e conseguirá ter ideia do que lhe aguarda.

Jenny (Carey Mulligan) é uma garota de 16 anos que está sendo educada. Mulheres, àquela época (década de 1960) ainda enfrentavam preconceito pela sociedade londrina – especialmente se nascessem em famílias conservadoras. O pai de Jenny, interpretado por Alfred Molina, sonha com o dia em que a filha irá para Oxford, cumprir seu destino, e para tanto, investe ao máximo em sua educação. A mãe, uma mulher passiva, atende às ordens do marido e acaba exigindo o mesmo. Mas Jenny está farta de tantas expectativas, e quando conhece David (Peter Saarsgard), um homem atraente e rico, é apresentada a um mundo que sequer vislumbrava conhecer – o que provoca grande alvoroço em tudo ao seu redor.

Não há dúvidas de que a performance arrebatadora de Carey Mulligan é o atrativo principal de Educação – embora ele ofereça outros ótimos pontos para serem aplaudidos. Na pele da garota insegura que dá os primeiros passos em direção à maioridade mental e corporal, ela transcende qualquer rótulo e assume uma postura inebriante, capaz de encantar o mais cético dos cinéfilos. Estranhamente, a garota vinha recebendo sinais de que ganharia boa parte dos prêmios da temporada, mas até o momento foi relegada a inúteis promessas. Evitando comparar seu desempenho a qualquer outro que recebeu maiores louros, digo apenas que estamos diante de uma das maiores injustiças dos últimos anos. Carey está mais que perfeita em Educação; se fosse possível conjugar (bons) adjetivos, e associá-los à sua atuação, todos sairiam no aumentativo.

O roteiro, por sua vez, não é um sinônimo de grandeza, mas atinge seus objetivos com graciosidade. Acompanhar a maneira como Jenny é educada, primeiro pela escola autoritária e depois, pela vida aparentemente receptiva e calorosa, é delicioso. A cada descoberta, nos envolvemos mais com a garota. É isto, aliás, o que deve ser aplaudido no roteiro de Nick Hornby (justamente indicado ao Oscar): a capacidade com que o mesmo nos aproxima das tramas e das personagens, até mesmo daquelas legadas à caráter secundário, como Helen, vivida por Rosamund Pike e Miss Stubs, interpretada por Olivia Williams. No fim, ele acaba se revelando como um poderoso retrato sobre a mulher do século XX, num momento em que a classe feminina ensaiava os primeiros passos em busca da libertação das amarras sociais, embora fosse, quase sempre, bruscamente freada pelo tradicionalismo machista imposto por sua sociedade.

Enfim, Educação ainda reserva um excelente desfecho – que resume, de uma só vez, e com extrema competência, tudo o que a obra quis discutir. Quando conferir o longa, prepare-se para oscilar seus sentimentos entre situações cômicas, apaixonantes, trágicas e engrandecedoras. Sim, este último adjetivo, em especial, poderia ser apontado como a maior lição da produção de Scherfig: trata-se de um filme que nos empurra em direção ao conformismo. Mas fica a pergunta: conformismo não é um atraso? Nem sempre. Há fatos na vida que são imutáveis, e crescer sobre um obstáculo intransponível é sinal de que você amadureceu, engrandeceu. Perante a vida, e melhor, perante a si próprio.

An Education – EUA – 2009 – Direção: Lone Scherfig – Elenco: Carey Mulligan, Peter Saarsgard, Alfred Molina, Olivia Williams, Rosamund Pike – 98 min – Gênero: Drama

NOTA: 8,5 

Preciosa – Uma História de Esperança

Basta que um filme abuse da realidade – desnudando a verdadeira situação dos outsidders americanos, geralmente encerrados em bairros carentes e sobrevivendo às custas do próprio destino – para que as premiações em geral, incluindo Oscar, façam uma longa mesura. É disto que trata Preciosa – Uma História de Esperança, do diretor Lee Daniels; daqueles americanos que vivem num país paralelo, onde a ordem é a pobreza, o descaso e a baixa auto-estima. 

Optando pelo escapismo, Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe), a protagonista, sonha com uma existência glamurosa – onde vislumbra fotografar para revistas e ser assediada por fãs ensandecidos. Um namorado bonito, dinheiro à vontade e claro, a aceitação por parte de todos. Mas é, na verdade, uma adolescente gorda, negra e marginalizada por uma educação deficiente (ou simplesmente pela falta dela) – e óbvio, sofre com isso. Criada pela mãe, uma mulher amarga e acomodada (Mo’nique), Claireece já está grávida do segundo filho e sequer iniciou o ensino médio. A partir de então, o roteiro reserva uma sucessão de acontecimentos desgraçosos à vida de Precious, e o longa assume o papel de um típico dramalhão. Seu caminho, porém, irá se cruzar com o de uma professora, Miss Rain (Paula Patton) e da assistente social Mrs. Weiss (Mariah Carey), mulheres que farão Precious lançar uma nova perspectiva sobre seu destino.

Ao ver o nome de Oprah Winfrey envolvido na produção, é inevitável estabelecer um paralelo com o premiado A Cor Púrpura, de Steven Spielberg. O livro que dá suporte ao longa é Push, da dramaturga Sapphire, e sua trama recorda bastante o vencedor do Pulitzer The Color Purple, de Alice Walker. As protagonistas são mulheres negras e desamparadas (Sidibe e Goldberg), maltratadas e violentadas pelos pais. Se Goldberg tinha Mister (Danny Glover) como seu carrasco, Sidibe tem a mãe como a personificação do diabo. E, se Sophia (Oprah Winfrey) e Shug (Margaret Avery) representavam um elo para a ansiada liberdade de Goldberg, Carey e Patton assumem esta tarefa para com Sidibe. As semelhanças não param por aí, e toda a história acaba parecendo uma cópia de A Cor Púrpura, com apenas uma diferença gritante: a época em que são ambientadas. Claro, eu gostei muito mais do longa de Spielberg – contudo devo frisar que o que me chamava atenção em demasia naquele filme (o elenco), neste chama em dose ainda maior.

Gabourey Sidibe está ótima como a garota vacilante e complexada, pouco segura de si para desafiar a mãe amarga e autoritária. Cada gesto da moça exprime com clareza o turbilhão de sentimentos adversos que passam por sua mente, resvalando entre o ódio gratuito e o fundamentado. Mo’nique, no papel da mãe tirana (que nutre ciúme totalmente reprovável da filha com o marido), está divina – seja nos instantes em que debruça um caminhão de impropérios em direção à filha, ou ainda quando é forçada a lidar com os próprios ressentimentos (atenção para o monólogo sublime da atriz, diante da assistente social vivida por Mariah Carey). Carey, aliás, surpreende com uma performance dura e irrepreensível, algo absolutamente insólito – especialmente se comparado à incursões desastrosas da cantora no cinema. Paula Patton, equilibrando doçura e a firmeza em sua personagem fabulosa, também atinge um lugar de destaque, neste que tem tudo para ser o melhor trabalho de elenco de 2010. 

Por isto afirmo: não fosse as atrizes exemplares, Preciosa – Uma História de Esperança seria outro drama descartável. Talvez pela inexperiência de Lee Daniels, que não mantém sua direção num nível de  interesse, ou mesmo pela previsibilidade do roteiro de Geoffrey Fletcher, Preciosa apresenta falhas que são difícies de ignorar. Surpreendeu a muitos sua força nas premiações (e com toda a certeza chegará igualmente fortalecido no Oscar, apesar de não merecer tanto crédito). E gozado: até mesmo o trajeto vitorioso do filme de Spielberg, Preciosa vem repetindo. Ao menos o longa de Daniels não está disposto a dizer o contrário: até a cor favorita de Miss Rain, é a cor púrpura.

Precious – EUA – 2009 – Direção: Lee Daniels – Elenco: Gabourey Sidibe, Mo’nique, Paula Patton, Mariah Carey – 110 min – Gênero: Drama

NOTA: 7,5 

Um Olhar do Paraíso

Expectativa é uma palavra pesada demais para o mundo cinéfilo – e ela acometeu a nova produção de Peter Jackson de maneira inimaginável, incalculável. Milhares de fãs aguardavam por um novo sucesso, um longa que pudesse equiparar-se à ótima trilogia Senhor dos Anéis. Pior: a grande maioria ansiava por um longa que arrebatasse público e crítica e chegasse à temporada de premiações tão forte quanto seus antecessores. O sonho, porém, não foi alcançado. Justiça seja feita: Um Olhar do Paraíso apresenta sérios problemas, mas não pode ser taxado como uma obra absolutamente descartável; ele possui bons momentos, atinge parte de seus objetivos (ainda que poucos), e ao menos, segura a atenção.

Não deve ser segredo para ninguém do que se trata a sinopse do filme, baseado no best-seller de Alice Sebold: Susie Salmon, uma garota de 14 anos, é violentada e morta pelo vizinho George Harvey, enquanto voltava da escola. Seus pais nem sequer desconfiam de tal possibilidade, e a iminência do assassino encontrar uma nova vítima (a irmã de Susan) a faz entrar em contato com os familiares, de outro plano espiritual. Um roteiro aparentemente simplório, se observado à distância – algo na linha de Ghost – Do outro Lado da Vida, para ser mais preciso. Porém, se no filme de Swayze e Moore a história mantinha-se em ascendência, preparando novas surpresas a cada tomada, o longa de Jackson começa mais interessante e vai esfriando paulatinamente. Os primeiros momentos tratam a juventude de Susan de modo exemplar, envolvendo-nos com suas dúvidas e desejos, bem como sua relação com os pais, pontuada pelos altos e baixos da adolescência. Logo em seguida, o aparecimento do vizinho, George Harvey, põe um filme num ritmo bem diferenciado – e ele sai do ambiente romântico, quase fabulístico, para se encerrar numa onda de ótimo suspense. As cenas de Saoirse Ronan e Stanley Tucci (que interpretam Susie e George) são, sem dúvida alguma, os melhores momentos do filme.

A morte de Susie cai como um divisor de águas sobre a narrativa, que assume um tom trsitonho e rancoroso a partir de então. Dois graves defeitos do longa pronunciam-se  claramente aqui. Primeiro, a maneira como a família lida com a ausência da primogênita. Era preciso que Rachel Weisz e Mark Walbergh descubrissem uma maneira de repassar o sofrimento de seus personagens mais convincentemente. Ela é uma atriz muito competente, mas é guilhotinada pelas atitudes que o roteiro lhe impõe, um tanto bruscas e inexplicáveis. Ele, um ator mediano e que vem colecionando desastres, mantém a expressão forçada de dor, que não deixa escapar uma lágrima em quem assiste sua tragédia. O outro defeito está em pequenos trechos passados no paraíso – que na necessidade de enfatizar a grandiloquência e o prazer do local, exageram com cenas risíveis.

Mas, felizmente, estes detalhes não estragam a magnitude vibrante dos efeitos visuais, realmente dignos de calorosos aplausos. A maneira como se trabalha com as formas e as cores do paraíso é um deleite sem tamanho. Pena que o (outro) plano espiritual se resuma à imagens tão arrebatadoras, quando (ao menos eu) esperava por um tratamento mais digno. Nada de útil ocorre em terras do além, se é que me entendem. Enquanto poderíamos estar diante de mais um personagem para o longa (porque acreditem, coisas interessantes deviam se passar num ambiente tão fairy tale), o paraíso serve apenas para Saoirse Ronan correr (e dançar) abobadamente. Ela, inclusive, dá um bom ritmo à sua atuação, mas se faz valer mais pela beleza e pelo encanto (pois é lindíssima) do que pelo talento. Stanley Tucci e Susan Saradon destacam-se um pouco mais, ainda que seus desempenhos não sejam tão memoráveis. Há, entretanto, um senão no personagem George Harvey: o desfecho abominável (para não dizer ridículo) que o roteiro lhe reserva.

Enfatizei nos defeitos até o momento, mas quero afirmar que a história de Um Olhar do Paraíso é capaz (realmente) de prender a atenção. Esqueça os dramas maduros que fizeram a trama de Senhor dos Anéis, fantasiosa, revelar-se tão adulta. É inútil comparar a grandiosidade dos últimos trabalhos de Jackson (inclusive o subestimado King Kong) com a força pouco duradoura de Um Olhar do Paraíso. Contudo, até mesmo um longa previsível e limitado como este pode trazer alguma satisfação – basta que você mande aquela temível palavra, a “expectativa”, dormir mais cedo. Encare Um Olhar do Paraíso como um passatempo. Dispa-se dos preconceitos que as críticas convencionaram. Não é uma produção digna de figurar entre os filmes do Oscar (pois passatempos não cabem ali), mas merece ser conferida – especialmente se confia em Peter Jackson. Ao menos se você, como eu, ainda confia.

The Lovely Bones – EUA – 2009 – Direção: Peter Jackson – Elenco: Saoirse Ronan, Stanley Tucci, Susan Saradon, Rachel Weisz – 120 min – Gênero: Drama

NOTA: 6,0 

Últimos Filmes em DVD

O CÓDIGO DAVINCI, de Ron Howard [2006]

NOTA: 7,0 

Baseado no polêmico best-seller de Dan Brown, O Código DaVinci era um dos mais aguardados longas de seu ano – mas no fim revelou-se simplista demais para ultrapassar a barreira do mero entretenimento. Com um argumento forte em mãos (que parte de um assassinato no Museu do Louvre e termina numa revelação surpreendente acerca dos ideais defendidos pela Bíblia), Akiva Goldsman não se saiu bem - descartando grande parte dos conhecimentos que o livro trazia, e condensando ao máximo as tramas. Se comparado à publicação de Brown, o filme perde em quase todos os aspectos, especialmente pelo desfecho acelerado. Um bom motivo para conferir o longa é a presença do famoso casting (composto por Tom Hanks, Ian McKellen, Audrey Tautou e Paul Bettany, embora somente o último apresente uma atuação realmente digna de nota). Destaque para a excepcional trilha sonora de Hans Zimmer.

DO FUNDO DO MAR, de Renny Harlin [1999]

NOTA: 1,0 

Filmes com animais ferozes à solta, em busca de carne humana desavisada costumam fazer sucesso – ainda mais quando as feras atendem pelo nome de “tubarão”. No caso de Do Fundo do Mar, película tímida e repetitiva, os tubarões parecem, à primeira vista, ser o único aspecto digerível. Porém, a surpresa é enorme; e adianto, muito ruim. Nem mesmo as feras computadorizadas convencem, num trabalho sofrível e vergonhoso de efeitos visuais. O roteiro tampouco ajuda: grupo de pesquisadores são presos numa base científica, encerrada no meio do oceano, após uma explosão. O que nenhum deles imaginava é que tubarões inteligentes, utilizados para vários experimentos, adentrariam a base submergida em busca de alimento. Para completar tamanha desgraça, há o elenco reprovável – encabeçado por Thomas Jane, que nunca esteve tão ruim.

A CASA QUE PINGAVA SANGUE, de Peter Duffell [1970]

NOTA: 2,0 

Com um roteiro bastante curioso, este exemplar do gênero terror é (infelizmente)  um verdadeiro desastre cinematográfico. Discutiu-se bastante acerca de sua qualidade, e os fãs mais aficionados lamentam muito o fato de não ter recebido reconhecimento devido – algo que para mim, é mais do que justo. Numa década em que tivemos filmes de horror absolutamente geniais, A Casa que Pingava Sangue estava mesmo fadado ao esquecimento. Não vi força numa história que tenta unir 4 contos interdependentes, apenas pela força maligna de uma casa, que serve de morada para um personagem de cada história. A intenção parecia boa, especialmente pelo primeiro episódio (o de um escritor em crise que passa a ter alucinações com um de seus personagens), mas a partir do segundo, o que devia provocar ansiedade e medo gera risadas. Melhor fala do filme: “Gosto demais daquele Drácula, mas o primeiro, com Bela Lugosi; esse novo, com o tal Lee, é horrível!”. Detalhe: Christopher Lee participa da película, como protagonista do segundo conto.

O CEMITÉRIO MALDITO, de Mary Lambert [1989]

NOTA: 5,0 

Stephen King veio publicamente reclamar da adaptação de um de seus maiores clássicos, O Iluminado, em 1980, idealizada por Stanley Kubrick. O escritor sempre pareceu disposto a adaptar as próprias histórias para o cinema, pois assim evitava que “partes importantes fossem cortadas”. Com tamanha fidelidade, O Cemitério Maldito (adaptado ao cinema por King) poderia parecer perfeito – especialmente para aqueles que adoraram o livro (e fui um deles). Contudo, a atmosfera tétrica e detalhada da publicação dá espaço a um roteiro ágil demais, que prejudica a verossimilhança de metade dos acontecimentos. O elenco também não passa a sntimentalidade que os personagens requerem, ao ponto do clímax soar forçado e risível. Aliás, o ser maligno do longa (uma criança), resume bem a sensação de comédia que se instala após a primeira hora de projeção: com sua vozinha irritante e cínica, só podia mesmo provocar risadas.

A CASA DA NOITE ETERNA, de John Hougue [1973]

NOTA: 3,5 

Milhares de filmes de terror já abordaram o tema da paranormalidade, e outros milhares colocaram um grupo de sensitivos encerrados dentro de uma mansão com supostos poderes malignos, em busca de manifestações. Em A Casa da Noite Eterna, começa-se e termina-se na entrada da tal casa assombrada. Como já era de se imaginar, os fantasmas presentes começarão a agir sobre a personalidade de cada um do eclético grupo, de modo que ponham-se uns contra os outros. Se tal roteiro desgastado fosse conduzido de maneira mais apropriada (afinal de contas, até os melhores filmes do gênero possuem elementos repetitivos) certamente A Casa da Noite Eterna teria mais o que contar. Porém, o diretor parece determinado a focar nas expressões falsas de seus péssimos atores, além de perder horas com diálogos extensos e cansativos. O clímax consegue, ainda, piorar a situação. Curiosidade: Pamela Franklin, a garotinha do espetacular Os Inocentes, de Jack Clayton, é a protagonista.

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