Os Melhores Filmes Românticos

Fevereiro 28, 2008 at 3:06 am (Ranking A Grande Arte)

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Dentre os principais gêneros cinematográficos, devo confessar que um dos que menos  me agradam são os romances. Principalmente porque alguns deles são incapazes de convencer o público quanto à sentimentalidade proposta pelo roteiro, transformando-se, assim, em produções pouco inovadoras e fatalmente cansativas. Porém, como para toda regra existe exceção, alguns poucos filmes românticos conseguem alcançar o triunfo na tentativa de transmitir uma história de amor. E é isto que ocorre nos dez filmes citados a seguir.

Veja também do Ranking A Grande Arte: Melhores Filmes Nacionais e Melhores Musicais

1.   Desencanto (1946), de David Lean  

 

2.   Desejo e Reparação (2007), de Joe Wright 

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3.   Titanic (1997), de James Cameron 

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4.   As Pontes de Madison (1995), de Clint Eastwood 

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5.   Antes do Amanhecer (1995), de Richard Linklater 

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6.   Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990), de Jerry Zucker 

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7.   O Diário de Uma Paixão (2004), de Nick Cassavetes 

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8. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004), de Michael Gondry   

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9.   Cidade dos Anjos (1998), de Brad Silberling  

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10.   O Carteiro e o Poeta (1995), de Michael Radford   

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Oscar 2008 – Momentos

Fevereiro 26, 2008 at 2:30 am (Oscar)

Foi uma cerimônia marcada pela estranheza, não há como negar. Faltou alguma coisa para que o Oscar 2008 alcançasse os méritos de uma octogésima edição. O diretor da Academia, Sid Gannis, disse que seria uma festa à altura de um aniversário tão importante. Mas o que se viu foi uma entrega ligeira e pouco emocionada dos prêmios, que apenas não se afundou na frieza completa devido à alguns poucos discursos verdadeiramente apaixonantes e é claro, algumas cenas bem engraçadas.

MOMENTO EMOÇÃO

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Agradecimento de Marion Cottilard, vencedora do Oscar de atriz pelo filme Piaf – Um Hino ao Amor. Usando doces palavras e demonstrando sinceridade em seu discurso, ela disse: “é verdade, existem anjos nesta cidade”. E lacrimejava lindamente.

 NOTA: 10,0

MOMENTO COMÉDIA

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A roteirista de Juno, Diablo Cody, surgiu com um vestido de oncinha dos seus tempos de stripper. E ficou tentando esconder um corte, que digamos, “refrescava” suas pernas.

NOTA: 9,0 (porque as pernas eram bonitas)

MOMENTO JUSTIÇA

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Daniel Day-Lewis, premiado com toda a honra e merecimento por seu trabalho irretocável em Sangue Negro, dedicou a estatueta à esposa, aos pais e ao filho, exibindo sempre um belo sorriso de felicidade. Nem parece que aquele britânico de visual cool interpretou um magnata do petróleo há pouco. Um camaleão.

NOTA: 10,0

MOMENTO CONTAGIANTE

Foto

 Javier Bardem recebe seu Oscar de coadjuvante por Onde os Fracos Não Têm Vez, visivelmente extasiado. Agradece a presença da mãe, sentada na primeira fila do Kodak Theatre, e além de dedicar o prêmio à ela, à avó e à Espanha, discursa boa parte do tempo na língua oficial de seu país. Muita originalidade e patriotismo.

NOTA: 9,0

MOMENTO SALVAÇÃO DA PÁTRIA

 Foto

 O maestro italiano Dario Marianelli salva Desejo e Reparação do esquecimento completo entre os premiados, num discurso ponderado, mas extremamente significativo para o filme britânico.

NOTA: 10,0

MOMENTO SURPREENDENTEMENTE  AGRADÁVEL

Foto

Tilda Swinton, cheia de personalidade, merecia, além do Oscar de coadjuvante, o de melhor figurino. Depois de ser anunciada como a vencedora da categoria por Alan Arkin, ela ainda demorou a entender que aquilo era verdade.

NOTA: 9,0

MOMENTO  SURPREENDENTEMENTE SENSATO

 Ruby Dee ficou sem o Oscar (sábia decisão) e no seu devido lugar. Mas ainda vão preparar um honorário por seu comprometimento com os direitos civis. Por isto ela está de parabéns! Mas pela atuação em O Gângster

NOTA: 10,0

MOMENTO “EU JÁ SABIA”

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Oscar de direção, roteiro adaptado e filme para os múltiplos irmãos Joel e Ethan Coen. 

NOTA: 7,0

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Oscar 2008 – Os Vencedores

Fevereiro 25, 2008 at 4:53 am (Oscar)

 

Balanço Final: 12 acertos em 24 indicados

(Comentários mais detalhados da cerimônia a partir de amanhã, 25/02)

FILME

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- Conduta de Risco
- Desejo e Reparação
- Juno
- Onde os Fracos Não Têm Vez Oscar
 (meu escolhido)
- Sangue Negro

DIREÇÃO

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- Jason Reitman – Juno
- Joel e Ethan Coen – Onde os Fracos Não Têm Vez Oscar
 (meus escolhidos)
- Julian Schnabel – O Escafandro e a Borboleta
- Paul Thomas Anderson – Sangue Negro
- Tony Gilroy – Conduta de Risco

ATOR

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- Daniel Day-Lewis – Sangue Negro Oscar (meu escolhido)
- George Clooney – Conduta de Risco
- Johnny Depp – Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
- Tommy Lee Jones – No Vale das Sombras
- Viggo Mortensen – Senhores do Crime

ATRIZ

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- Cate Blanchett – Elizabeth: A Era de Ouro
- Ellen Page – Juno
- Julie Christie – Longe Dela
(minha escolhida)
- Laura Linney – A Família Savage
- Marion Cotillard – Piaf – Um Hino ao Amor Oscar (sempre minha preferida)

ATOR COADJUVANTE

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- Casey Affleck – O Assassinato de Jesse James
- Javier Bardem – Onde os Fracos Não Têm Vez Oscar
 (meu escolhido)
- Hal Holbrook – Na Natureza Selvagem
- Philip Seymour Hoffman – Jogos do Poder
- Tom Wilkinson – Conduta de Risco

ATRIZ COADJUVANTE

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- Amy Ryan – Medo da Verdade
- Cate Blanchett – Não Estou Lá
- Ruby Dee – O Gângster
(minha escolhida)
- Saoirse Ronan – Desejo e Reparação
- Tilda Swinton – Conduta de Risco Oscar

ROTEIRO ORIGINAL

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- A Família Savage – Tamara Jenkins
- Conduta de Risco – Tony Gilroy
- Juno – Diablo Cody Oscar
 (meu escolhido)
- Lars and the Real Girl – Nancy Oliver
- Ratatouille – Brad Bird, Jan Pinkawa, Jim Capobianco

ROTEIRO ADAPTADO

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- Desejo e Reparação – Christopher Hampton
- Longe Dela - Sarah Polley
- O Escafandro e a Borboleta – Ronald Harwood

- Onde os Fracos Não Têm Vez – Joel Coen e Ethan Coen Oscar
 (meu escolhido)
- Sangue Negro – Paul Thomas Anderson

FILME DE ANIMAÇÃO

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- Persépolis
- Ratatouille Oscar
 (meu escolhido)
- Tá Dando Onda

FILME ESTRANGEIRO

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- 12 – Rússia
- Beaufort – Israel
- Katyn – Polônia
- Mongol – Cazaquistão
- The Counterfeiters – Áustria Oscar
 (meu escolhido)

FOTOGRAFIA

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- Desejo e Reparação
- O Assassinato de Jesse James
- O Escafandro e a Borboleta
- Onde os Fracos Não Têm Vez
(meu escolhido)
- Sangue Negro Oscar

DIREÇÃO DE ARTE

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- A Bússola de Ouro
- Desejo e Reparação
(meu escolhido)
- O Gângster
- Sangue Negro
- Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet Oscar

FIGURINOS

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- Across the Universe
- Desejo e Reparação

- Elizabeth: A Era de Ouro Oscar
- Piaf – Um Hino ao Amor
- Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
(meu escolhido)

EDIÇÃO

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- Na Natureza Selvagem
- O Escafandro e a Borboleta

- O Ultimato Bourne Oscar
 (meu escolhido)
- Onde os Fracos Não Têm Vez
- Sangue Negro

MAQUIAGEM

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- Norbit
- Piaf – Um Hino ao Amor Oscar
- Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (meu escolhido)

EFEITOS VISUAIS

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- A Bússola de Ouro Oscar
- Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
- Transformers
(meu escolhido)

EDIÇÃO DE SOM

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- O Ultimato Bourne Oscar (meu escolhido)
- Onde os Fracos Não Têm Vez
- Ratatouille
- Sangue Negro
- Transformers

MIXAGEM DE SOM

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- Os Indomáveis
- O Ultimato Bourne Oscar
- Onde os Fracos Não Têm Vez
- Ratatouille
- Transformers
(meu escolhido)

TRILHA SONORA

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- Alberto Iglesias – O Caçador de Pipas
- Dario Marianelli – Desejo e Reparação Oscar
 (meu escolhido)
- James Newton Howard – Conduta de Risco
- Marco Beltrami – Os Indomáveis
- Michael Giacchino – Ratatouille

CANÇÃO ORIGINAL

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- Falling Slowly – Once Oscar
- Happy Working Song – Encantada
- Raise It Up - O Som do Coração
- So Close – Encantada
- That’s How You Know – Encantada
(minha escolhida)

DOCUMENTÁRIO

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- No End in Sight (meu favorito)
- Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience
- Sicko: SOS Saúde
- Taxi to the Dark Side Oscar
- War Dance

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

- Freeheld Oscar (empate de preferência - 25% - não computarei acerto)
- La Corona
- Salim Baba
- Sari’s Mother

CURTA-METRAGEM

- At Night
- Tanghi Argentini
- The Mozart of Pickpockets Oscar
 (meu escolhido)
- The Substitute
- The Tonto Woman

CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO

- Even Pigeons Go To Heaven (meu escolhido)
- I Met the Walrus
- Madame Tutli-Putli
- My Love
- Peter and the Wolf Oscar

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Oscar 2008 – Apostas Principais

Fevereiro 23, 2008 at 11:15 pm (Oscar)

 

Quem se habilita?

Gostaria de esclarecer, de antemão, que minhas escolhas desta seção não refletem ao exato minhas verdadeiras preferências, e sim, os filmes que possuem, ao meu ver, maiores chances de levar a estatueta no dia 24 de fevereiro em Los Angeles.

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 Melhor Filme: Onde os Fracos Não Têm Vez 

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 Melhor Direção: Joel e Ethan Coen, por Onde os Fracos Não Têm Vez 

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Melhor Ator: Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro away-from-her-julie-christie-1.jpg

Melhor Atriz: Julie Christie, por Longe Delajavier-bardem.jpg

  Melhor Ator Coadjuvante: Javier Bardem, por Onde os Fracos Não Têm Vez

 Melhor Atriz Coadjuvante: Ruby Dee, por O Gângster

 Melhor Roteiro Original: Diablo Cody, por Juno 

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 Melhor Roteiro Adaptado: Joel e Ethan Coen, por Onde os Fracos Não Têm Vez

 Melhor Filme Estrangeiro: Os Falsários (Áustria)

 Melhor Direção de Arte: Ian Bailley, Nick Gottschalk, Niall Moroney, por Desejo e Reparação

 Melhor Figurino: Coleen Atwood, por Sweeney Toddnocountryforoldmen.jpg

  Melhor Fotografia: Roger Deakins, por Onde os Fracos Não Têm Vez

 Melhor Documentário: No End In Sight 

 Melhor Edição: Christopher Rouse, por O Ultimato Bourne

 Melhor Maquiagem: Ve Neill e Martin Samuel, por Piratas do Caribe – No Fim do Mundo 

Melhor Trilha Sonora: Dario Marianelli, por Desejo e Reparação

Melhor Canção: That’s How You Know”, de Alan Menken e Stephen Schwartz, por Encantada

Melhor Mixagem de Som:  Kevin O´Connel, Greg P. Russell e Peter J. Devlin, por Transformers

Melhor Edição de Som: Karen M. Baker e Per Hallberg por O Ultimato Bourne

Melhores Efeitos Visuais: Scott Farrar, Scott Benza, Russell Earl e John Frazier, por Transformers 

Melhor Longa de Animação: Ratatouille 

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Juno

Fevereiro 23, 2008 at 2:59 am (Filmes: Jason Reitman, Tenho em casa)

 

É impossível negar que filmes independentes, adjetivados por muitos como bons, bonitos e relativamente baratos para os padrões de Hollywood, têm feito sucesso estrondoso nas últimas cerimônias do Oscar. Observou-se isto em 2006, com a vitória de Crash-No Limite; em 2007, com a festejada indicação de Pequena Miss Sunshine; e este ano, com o reconhecimento do simpático Juno, do diretor Jason Reitman.

Juno MacGuff é uma garota de 16 anos, que por um descuido reprovável, engravida de seu melhor amigo, Paulie Bleeker, logo na primeira relação sexual. Desnorteada com o ocorrido, ela decide doar a criança para a adoção, e para tanto, conhece um casal que apresenta condições viáveis de fazê-lo. A partir de então, Juno passará por um longo processo de amadurecimento, estabelecendo novas visões e diretrizes para a sua vida.

Concebido pela roteirista Diablo Cody, Juno nada mais é que um moderno, mas ainda delicado painel sobre a adolescência, um longa que, apesar de baseado em idéias previamente tomadas como pretensiosas, ao fim se revela isento de qualquer sentimento do tipo. O filme, como tantos outros indicados ao Oscar deste ano, conta com uma atuação espetacular chave, que é responsável por grande parte de sua exuberância. Ellen Page, no papel central, revela um crescimento profissional irretocável desde Menina Má.com, sentimentalizando Juno quando preciso, ironizando as atitudes alheias e reviravoltas da vida quando necessário. Em certos momentos, Juno parece lidar com a gravidez como se deve lidar com uma dor de barriga, e noutros demonstra medo e sensibilidade; é a sintese do comportamento de uma garota adolescente americana e descolada, mas sua alma apresenta carência e por vezes parece implorar por conselhos. Tais contradições fazem do filme um charmoso e indispensável programa para qualquer momento do dia. A condução da história é tão acertada, que desperta nos espectadores as mais variadas sensações, que transitam entre as lágrimas, as gargalhadas, a pena, e às vezes, a revolta. Porém, o maior trunfo da história está aí: não ocorre nenhum tipo de julgamento ou corretivo explícito do destino; ele está presente, sim, mas de maneira tão indireta que pode passar despercebido, escondido nas entrelinhas.

O elenco secundário não deixa a desejar sobre nenhum aspecto. Michael Cera, um dos garotos do divertido Superbad – É Hoje, cumpre seu papel com uma simpatia e juvenilidade admiráveis, na minha opinião a grande revelação do filme. J.K. Simmons, no papel de pai da garota grávida, remete ao espectador uma despreocupação típica dos pais de família suburbanos. Outra grande reforço é a atriz Jeniffer Garner, insossa em papéis como Elektra, aqui ela trabalha com o tempero exato, e revela que o Oscar poderia sim, tê-la indicado ao prêmio de coadjuvante como a possível mãe adotiva do filho de Juno. Todos competentemente regidos por uma direção ágil e segura de Jason Reitman, conhecido do grande público pelo inesquecível Obrigado Por Fumar. Sua indicação ao Oscar não foi absurda, embora Joe Wright, com o mesmo nível de experiência e à frente do primoroso Desejo e Reparação, tenha ficado, injustamente, de fora da lista de indicados.

A direção de arte consegue um feito notável, transformando os cenários de Juno naquilo que eles deviam ser exatamente, um reflexo da adolescência contemporânea. E a trilha sonora, um dos pontos mais atrativos do longa, se compõe de músicas extremamente simpáticas, igualmente condizentes com o universo da juventude.

Juno é, na verdade, uma parábola cinematográfica sobre o amadurecimento, uma viagem inebriante aos confins do cérebro de uma garota dotada de sentimentos comuns e reconhecíveis. Uma produção que não tem, em momento algum, medo de ser sincera. E, portanto, repleta de ensinamentos positivos, encantadora até o último minuto. 

Juno – EUA – 2007 – Direção: Jason Reitman – Elenco: Ellen Page, Michael Cera, J. K. Simmons, Jeniffer Garner, Alisson Janney, Jason Bateman– 113 min – Gênero: Drama

NOTA: 8,5 

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