MEME: Filmes Subestimados
Há alguns dias, recebi um MEME do amigo Lucas (Blog Assistimos Muito), no qual era proposta a idéia de apontar cinco filmes subestimados. Ontem, ao entrar no Blog Cinéfila Por Natureza, de minha cara amiga Kamila, deparei-me com o mesmo convite, proposto agora por ela. Diante de tal tarefa bastante dificultosa, eu diria, apresento o meu ranking de produções que, por motivos inexplicáveis, foram esnobadas pela maioria dos prêmios tradicionais de cinema, e talvez por isso, muitas vezes pouco apreciadas até mesmo pelo grande público.
1. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003)
O mais belo e consistente trabalho do diretor Tim Burton foi solenemente ignorado por grande parte das premiações, embora tenha conseguido boa receptividade da crítica. Este excelente filme conta a história de Edward Bloom, um homem que decidiu, ainda jovem, abandonar a cidade em que nasceu no sul dos Estados Unidos e iniciar uma viagem pelos quatro cantos do mundo. Anos mais tarde, já envelhecido, se diverte contando tais situações (na maioria mirabolantes) para qualquer pessoa que esteja ao seu redor. Todos se divertem com suas histórias, sendo apenas seu filho - ressentido pela constante ausência do pai durante infância e adolescência - o único a manter distância e colocar em dúvida a veracidade de tais acontecimentos narrados por ele. O roteiro é de sinceridade e simplicidade extremamente encantadoras, e o elenco (Ewan McGregror, Albert Finney, Jessica Lange, Billy Crudupp e Marion Cotillard) trabalha numa sintonia irretocável. A trilha sonora foi indicada ao Oscar, mas quesitos técnicos como direção de arte, fotografia, edição e maquiagem foram escanteados. Sem falar na direção de Burton, um dos pontos altos do longa-metragem. Não há explicação plausível, mas esta singela obra-prima foi mesmo deixada de lado.
2. Tempo de Despertar (1990)

Outra pequena obra-prima levada às telas pela diretora Penny Marshall, Tempo de Despertar é um dos filmes mais triunfantes de toda década de 90. O roteiro é grandioso: no final dos anos 60, médico (Robin Williams) que se dedica a portadores da síndrome conhecida como doença do sono, decide testar nova droga em paciente. Após 30 anos adormecido, o paciente escolhido como cobaia (Robert DeNiro) desperta para uma realidade absolutamente desconhecida, e logo apresenta estranhos efeitos colaterais, colocando a reputação e a carreira do médico em processo de desestruturação. Recebeu três indicações ao Oscar (filme, roteiro adaptado e ator), mas não arrebatou nenhuma das estatuetas a quais concorria.
3. O Labirinto do Fauno (2006)

Muitos acreditam que O Labirinto do Fauno tenha sido superestimado, pois é raro encontrar um filme estrangeiro (no caso mexicano) com seis indicações dentro de uma festa essencialmente americana, e que ainda arrebate três estatuetas do Oscar. Mas este extraordinário trabalho de Guillermo del Toro merecia muito mais – principalmente uma indicação ao Oscar de melhor filme, além da óbvia vitória no Oscar de filme estrangeiro – o que de fato não ocorreu. A história da jovem garota Ofelia, que, em meio à Guerra Civil Espanhola, encontra um mundo de fantasias paralelo ao seu, através de um labirinto misterioso, foi um dos melhores filmes lançados em 2006, e cruelmente injustiçado pela maioria das premiações.
4. A.I – Inteligência Artificial (2001)
Steven Spielberg já havia trabalhado positivamente com a emoção do público em 1985, com o magnífico A Cor Púrpura, e provou que muito tempo depois ainda possuía capacidade suficiente para levar às telas esta cativante e emocionante história de aventura, amor e intolerância. Num futuro não muito distante, quando a Terra já enfrenta problemas climáticos irreversíveis, um casal recebe a notícia de que seu filho não tem condições de sair do estado de coma em que se encontra. Tecnicamente diagnosticado como morto, o menino permanecerá enclausurado em um redoma de vidro por tempo indeterminado. A única solução aparente para o casal desperado é adotar um menino-robô, dotado de capacidade de amar, para substituir a criança perdida. Trata-se de um filme especial, poderoso e arrebatador. Muitas reviravoltas e surpresas numa jornada emocional densa e inesquecível. Apenas duas míseras indicações técnicas ao Oscar, e nada mais.
5. As Duas Faces de Um Crime (1996)

O diretor Gregory Hobblit e os roteiristas Steven Shagan e Ann Biderman levaram às telas a espetacular história de um vaidoso ex-promotor de justiça que aceita defender um jovem desequilibrado, acusado de assassinar um arcebispo. Porém, quando entra a fundo nas investigações, descobre um lado obscuro que o religioso guardava da sociedade, bem como segredos que pairavam sobre a vida do acusado. É um dos melhores filmes de tribunal de todos os tempos, inteligente, sóbrio e por vezes doentio. Alicerçado num elenco responsável e retumbante (especialmente Edward Norton, em seu papel de estréia), este filme merecia muito mais do que uma indicação ao Oscar – a de ator coadjuvante para Norton. Merecia um reconhecimento à altura do excelente thriller que é.
Aproveito e passo a corrente para os seguintes amigos blogueiros:
1 – Daniell Castro (O Monolito)
2 – Matheus Pannebecker (Cinema e Argumento)
3 – Isabela (Movie Junkies)
4 – Anderson (Rosebud é o Trenó)
5 – Fábio Nascimento (Locke’s Blog)
As Crônicas de Spiderwick
Se alguém disser que a fórmula deste tipo de produção está gasta, eu não teria a coragem de desmentir. Só nos últimos anos, fomos apresentados a milhares de filmes do gênero, que misturam fantasia e realidade, recorrendo à uma trama dramática e cheia de aventura para compor seus roteiros. Alguns pecam pelo excesso de originalidade, outros simplesmente brilham pelo uso adequado e coerente dos recursos visuais incrementados à história. Em As Crônicas de Spiderwick, o resultado é tão impressionante, que o filme entra na mente e definitivamente não sai mais.
A família Grace está vivendo uma situação bastante delicada: a separação dos membros principais, o pai e a mãe. Envolvidos diretamente com o distanciamento do casal, estão os três filhos (os gemêos Jared e Simon – interpretados por Freddie Higmore – e a mais velha, Mallory). Jared culpa a mãe pela separação, e nutre raiva ainda maior por ela ao saber que se mudarão para a casa da avó, numa cidade do interior. Lá, ele é exposto a uma porção de mistérios, e o principal deles é a existência de um livro secreto, que jamais deve ser aberto. Contrariando a regra, é claro, o menino acaba despertando a atenção de um ogro (criatura mitológica) e enfrentará a partir de então uma série de contratempos, assumindo diversas responsabilidades.
É um filme que se alicerça numa idéia já conhecida: conflituar dois mundos paralelos, mas nem tanto. O roteiro foi concebido por seis profissionais, existindo nele uma metáfora explícita entre as situações vividas pela família Grace e o mundo de fantasias, sendo que a forma como se conduz os acontecimentos é descompromissada na maioria das vezes, mas também trabalha com assuntos sóbrios e constrói dramas bastante inteligentes. Outra carcterística marcante é o uso acertado do suspense e por momentos, do terror, lembrando o filme mexicano O Labirinto do Fauno. A presença de Freddie Higmore, que há muito deixou de ser uma revelação, é um dos maiores trunfos, pois o ator inglês consegue imprimir em seus personagens o carisma necessário que um protagonista precisa. O elenco secundário também cumpre seu papel, embora com menos intensidade em suas atuações. Entre os quesitos técnicos, tudo funciona a nível de exuberância. A direção de arte é extraordinária, os figurinos, maquiagem, efeitos visuais e a fotografia, primorosos. Os erros praticamente inexistem, e o espectador termina a sessão com um gosto delicioso de aventura inteligente e rara.
NOTA: 8,0 ![]()
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King Kong
Ao deparar com tamanha exuberância fluindo na tela do cinema, em 2006, tive a certeza de que a produção do neozelandês Peter Jackson não podia ficar de fora da minha coleção de filmes. Concebido com extremo cuidado e dedicação advindos da Universal Studios, King Kong é um filme cheio de lendas e histórias mirabolantes, mas que alcança um prestígio incontestável por levar ao espectador um conjunto harmônico entre efeitos visuais, roteiro e atuações.
Tudo começa em 1933, quando a jovem atriz Ann Darrow (Naomi Watts) recebe a proposta do inescruploso cineasta Carl Deham (Jack Black) para participar das filmagens de um longa-metragem envolvido em muito mistério. Para tanto, a equipe precisará enfrentar longa viagem até a locação, conhecida como Ilha da Caveira. Ao atingirem tal destino, confrontam-se com uma fera de tamanho e ferocidade inimagináveis.
Quase não se detectam erros na produção, e se a duração da película incomoda alguns, a mim não provocou nenhum tipo de perturbação. Pelo contrário. A cada nova cena, somos apresentados à um nível técnico que ultrapassa o extraordinário, e a sensação que se tem ao assistir o filme é a de que os milhões de dólares investidos para transformar um antigo sonho de Peter Jackson em realidade, foram mais que suficientes para criar um dos melhores filmes de monstro de todos os tempos. As atuações também garantem boa parte do brilho creditado. Naomi Watts e Jack Black estão maravilhosos em seus papéis, enquanto que Adrien Brody, Colin Hanks e Jamie Bell demonstram apenas certa desenvoltura. E é o bastante.
A edição é mais um dos quesitos técnicos a serem admirados. Todo o clímax está nas duas primeiras horas, mas a terceira e última trabalha brilhantemente com a presença da criatura e os estragos que ela desencadeia na cidade de Nova York. Outros artifícios marcantes são os figurinos e a direção de arte, orquestrados por efeitos sonoros paralisantes.
Os extras do dvd só vêm reforçar o charme e mistério do roteiro, discutindo sobre evidências muito intrigantes, que comprovaram a existência de uma Ilha da Caveira até meados da década de 30. Pesquisadores apontavam a presença de um pedaço de terra incrustado no Oceano Atlântico, com clima adequado para sobrevivência de espécies jurássicas, além de gorilas imensos, insetos e vermes gigantescos. Uma pitada de suspense de primeira necessidade, eu diria, que, juntas às proezas técnicas do filme, fazem de King Kong algo obrigatório, na verdade uma ferramenta essencial para que se possa compreender a verdadeira arte de fazer cinema.
NOTA: 8,5 ![]()
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Últimos Filmes em DVD
LEÕES E CORDEIROS 8,5 ![]()
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Não fosse a presença de Tom Cruise e Meryl Streep, talvez Leões e Cordeiros não possuísse a mesma força e alcance no público. Em interpretações brilhantes de ambos, vivendo uma dupla de personagens que criam um interessante debate a respeito do terrorismo e da guerra do Afeganistão, os dois atores acabam representando, ao fim, toda a essencialidade do filme. Cruise é um senador ambicioso e visionário, que numa entrevista com a repórter vivida por Streep, garante a solução para que se possa conter o crescimento do terrorismo. Uma torrente de ideais e interesses é posto em xeque, desmitificando muito do que se pensa do alto escalão americano, exibindo a forma muitas vezes desumana com que se trata o jovem nascido naquele país em prol de justificativas por vezes infundadas. E é a partir desta premissa que se desenvolve uma história paralela, a de um professor universitário interpretado medianamente por Robert Redford. Ele tenta impor a um de seus alunos, a consciência de quão importante é a dedicação pela pátria, exigindo dele posicionamento político. Nos campos de batalha afegãos, dois jovens amigos do aluno em questão, entregam-se de corpo e espírito a uma causa na qual acreditam: a guerra em prol da paz. Leões e Cordeiros é um filme que trabalha com o senso crítico do espectador, atingindo um nível sensacional ao questionar o quanto passivos ou atuantes podemos ser diante de um dogma enraizado. O roteiro é espetacular, mas a necessidade de verdadeiros talentos para encarnar os personagens faz-se presente. E Robert Redford (também como diretor do filme) acertou em cheio com a escolha de Cruise e Streep.
ANTES SÓ DO QUE MAL CASADO 6,5 ![]()
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Comédias do tipo de Antes Só do que Mal Casado não são surpreendentes, apenas cumprem seu papel de produzir risos. Os irmãos Bob e Peter Farrelly, acostumados com o gênero, têm um desempenho aceitável e conduzem o roteiro satisfatoriamente. A presensa de Ben Stiller é mais uma vez um trunfo dos produtores, pois inegavelmente, o ator é engraçado. Vivendo um quarentão que nunca passou por um casamento, repentinamente decide se unir a uma mulher. Porém, o que lhe antes parecia uma maravilha, revela-se uma incômoda e reprovável atitude: o desiquilíbrio de sua esposa o faz passar por momentos realmente inacreditáveis, e muito gozados. E é na lua-de-mel que ele conhece uma moça completamente diferente da louca esposa, que se mostra sua verdadeira cara-metade. O desenvolvimento dos acontecimentos é idêntico à qualquer tipo de comédia contemporânea. Tudo se desenrola de uma maneira irreal, mas absurdamente hilária em certas passagens. É isto que faz deste filme algo obrigatório, ao menos se você gosta mesmo de se divertir genuinamente, sem expectativa alguma.
O diretor Daniel Filho foi responsável pela primeira adaptação do excelente livro do português Eça de Queiros para a televisão, e agora também para o cinema. Mas a história original, que se passa na Lisboa do século XIX, foi transposta para a São Paulo da década de 50. Luísa (Débora Falabella) é uma moça ociosa e sonhadora, que durante a viagem de seu marido Jorge (Reinaldo Gianechinni), recebe a visita de seu primo, Basílio (Fábio Assunção), antiga paixão da adolescência. A traição é inevitável, mas a presença inoportuna da amargurada empregada Juliana (Glória Pires), põe tudo a perder; ela descobre o adultério e chantageia a patroa a todo instante. O filme não possui um só pingo do charme do livro, mas consegue trabalhar com a tensão do espectador com certa competência. Fraco na maioria dos quesitos técnicos, acerta apenas nos figurinos e talvez na edição. Mas o grande trunfo do longa-metragem foi a reunião de um elenco responsável e convincente, com destaque para Pires e Falabella, absolutas. É o embate patroa-empregada que deve ser levado em consideração, pois ele constitui a essência do filme. O fato é que O Primo Basílio por vezes chama a atenção e por outras não passa de um descartável passatempo. Porém, ainda assim, merece ser conferido.
Oscar (2000-2004): A Melhor das Atrizes Campeãs
Colocar as atrizes vencedoras do Oscar entre os anos de 2000 e 2004 em disputa não vai ser muito fácil, e algumas vezes, eu diria nem muito justo. Todos estamos cansados de saber que o Oscar comete injustiças, e em minha opinião, cometeu sérios enganos ao premiar certa atriz em detrimento de outra bem mais merecedora. Foi o caso de Charlize Theron, em 2003, por exemplo. Naomi Watts, o coração de 21 gramas, ficou a ver navios e voltou para casa de mãos abanando; mesmo apresentando uma atuação mais competente que a outra, vencedora por seu papel em Monster. Mas, polêmicas de lado, qual destas cinco atrizes teve o trabalho mais consistente e marcante?
Minhas favoritas: 2000 – Julia Roberts (Erin Brockovich) ♦ 2001 – Sissy Spacek (Entre Quatro Paredes) ♦ 2002 – Juliane Moore (Longe do Paraíso) ♦ 2003 – Naomi Watts (21 Gramas) ♦ 2004 – Hilary Swank (Menina de Ouro)
AS INDICADAS

Julia Roberts (2000 – Erin Brockovich) Halle Berry (2001 – A Última Ceia)


Nicole Kidman (2002 – As Horas) Charlize Theron (2003 – Monster)

Hilary Swank (2004 – Menina de Ouro)
A VENCEDORA

Hilary Swank