Os Reis da Rua

Abril 30, 2008 at 1:55 pm (Críticas)

Nada de inovações nesta fraquíssima produção da 20th Century Fox, apenas mais um dispensável filme policial que tenta surpreender com um roteiro cheio de reviravoltas, mas termina num espetáculo fútil e sem personalidade – que não recomendo a nenhum ser vivente.

Tom Ludlow, interpretado bestialmente por Keanu Reeves, é um detetive experiente que se propõe a desvendar um intrincado mistério que ronda sua repartição: a morte de seu parceiro. Protegido por um superior (Forest Whitaker), que tenta de várias maneiras livrar seu pupilo de maiores encrencas, o detetive recebe a ajuda de um colega mais jovem (Chris Evans) para concluir sua investigação. É a partir de então que diversas máscaras caem e todos os dogmas sobre policiais e bandidos começam a se desintegrar.

Dirigido por David Ayer, conhecido do grande público pelos roteiros clichês da franquia Velozes e Furiosos, o longa exprime a cada minuto a falta de preparo de toda a equipe técnica – especialmente do diretor de primeira viagem e dos infelizes que se reponsabilizaram pela edição. É uma parafernália sem fim, que explora ao máximo as cenas de ação, e portanto fazendo de várias delas uma maneira de desviar a atenção do roteiro. Algumas são convincentes, embora a maioria não esteja bem inserida dentro da história, provocando a sensação descrita anteriormente. Os roteiristas tentam, sim, desenvolver algumas passagens de cunho dramático, e elas se mostram perdidas e desnecessárias.

Confirmar que mais uma vez Keanu Reeves resvala entre o fraco e o medíocre já seria de bom tamanho para ficar longe do filme. Mas o elenco peca extremamente ao apresentar dois excepcionais atores – Hugh Laurie e Forest Whitaker. O primeiro, responsável por uma aparição meteórica, definitivamente não precisava disto para sua carreira. Já o recém-vencedor do Oscar Whitaker, apresenta uma atuação ordinária e vergonhosa para quem surpreendeu meio mundo em O Último Rei da Escócia.

Enfim, nada, absolutamente nada se salva do fracasso. A Fox brindou os cinemas com uma produção medonha, capaz de enfezar o suficiente. Se seus neurônios não admitem mais esse tipo de bobagem, onde tudo que vale é um joguinho de surpresas clichês e algumas cenas de tiroteio, passe longe de Os Reis da Rua. Sua paciência – e seu bolso - agradecem.

NOTA: 1,0   

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Elizabeth – A Era de Ouro

Abril 26, 2008 at 1:36 am (Críticas)

 

Não há explicação plausível para o desagradável resultado desta produção, pois a reunião do competente diretor Shekhar Kapur e do time de estrelas do elenco, tinha tudo para convergir num material tão intenso como o primeiro episódio da saga de Elizabeth I, levado às telas há quase dez anos atrás. Mas infelizmente não escapa da obviedade, dando a impressão de um produto final sem acabamento.

Aqui, a rainha Elizabeth enfrenta a ação de um desmedido rei espanhol, de nome Felipe II, adorador intransigente do catolicismo. Ele não só pretende espalhar a corrente religiosa por toda a Europa, como tomar o trono da rainha inglesa e entregá-lo à filha, para que a Inglaterra deixe de oferecer resistência e não mais dissemine o protestantismo. Em meio a golpes de Estado desta natureza, a rainha ainda encontra momentos para se apaixonar por um aventureiro, enquanto espera fidelidade de seu conselheiro e dos criados mais próximos, e sobretudo, do povo de seu país.

Não há como negar que o filme possua uma aura espetaculosa, com direção de arte, figurinos e fotografia bem sintonizados, além de um roteiro histórico e, portanto, automaticamente atrativo . E talvez isto já valha para alguns. Para mim não. Há muito não me deparava com um filme tão curioso: a ausência de erros pelas categorias técnicas é total, as atuações são poderosas – especialmente de Cate Blanchett (indicada ao Oscar, sim, e com justiça) e a de um carismático Clive Owen -, mas existe um pecado imperdoável que se estende pelas quase duas horas de projeção e afeta todos os pontos positivos do longa: a falta de originalidade e fundamento, que fazem dele, ao meu entender, uma extensão desnecessária do filme de 1998.

A direção de Kapur é apenas aceitável, e a trilha sonora de Craig Armstrong é o aspecto mais louvável depois da atuação de Blanchett. Então, resta-me atacar o roteiro de Michael Hirst e William Nicholson. Ele de nada acrescenta ao longa, e isto é insuportável. Pobre e confuso, começa com um painel romântico entre Elizabeth e o aventureiro, recebendo ainda a presença de uma terceira pessoa, a dama-de-companhia da monarca. O triângulo amoroso não se molda, sendo que os roteiristas parecem optar pela imparcialidade – deixando um gosto amargo sobre um fator que muitas vezes salva um filme do marasmo. Numa espécie de segundo ato, a história se perde em absoluto. Ao enveredar-se por outra direção, explora excessivamente as intrigas políticas entre Espanha e Inglaterra, com cenas majestosas que pouco servem senão entreter o espectador. O erro, ao meu ver, concentra-se na primeira parte do filme. A tentativa de humanizar a rainha se dá de maneira tão insistente, que sepulta todo o charme e grandiosidade que se poderia obter. O que transparece é uma produção perdida, que não se enquadra em gênero algum – principalmente por não tomar partido de nada, nem do romance promissor, nem da guerra e seu tom épico.

É evidente, até aos olhos mais inocentes, que A Era de Ouro foi produzido com intenção de explorar a magnificência técnica de Hollywood e devolver à Cate Blanchett o papel pelo qual ela devia ter ganho o Oscar – e injustamente perdeu para a graciosa (e mais nada) Gwineth Paltrow. Estes objetivos foram sim, alcançados. Mas, de resto, só se enxerga mesmo uma monotomia insuportável, que se intensifica mais a cada minuto.

Especula-se que o diretor Kapur esteja preparando um terceiro filme para findar a trilogia da rainha britânica mais conhecida de toda a História. Pois bem, ele está caminhando num campo minado. Se amanhã ou depois Cate Blanchett desistir da idéia, nem mesmo a técnica cinematográfica perfeita será capaz de salvar este delírio do fracasso completo.

NOTA: 5,0   

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Mais MEMES…

Abril 23, 2008 at 11:55 am (MEMES)

Definir a expressão MEME talvez não seja a tarefa mais fácil, se analisada à uma primeira vista. Mas é importante saber a principal mensagem que tal termo quer trazer: é a de que uma comunidade pode sempre aumentar, se é claro, compartilhar da opinião de todos os seus membros – e, naturalmente, abrir espaço para novos. Esta corrente se iniciou há um longo tempo, e bem no início de fevereiro, quando o blog A Grande Arte ainda era uma perspectiva, recebi uma honrosa lembrança do amigo Vinícius, que me apontou como um de seus 10 escolhidos para o seu MEME da amizade. Posto que eu ainda era um simples visitante de blogs, me senti duplamente feliz. Pois bem, recentemente o Luciano Lima e o caro Wally, outros dois companheiros virtuais, também me nomearam em seus MEMES. E finalmente chegou a hora de responder a todos.

MEME anti-social
Você se considera um blogueiro anti-social?

Bom, seguindo a linha de pensamento dos amigos que já responderam tal pergunta, faço das palavras deles as minhas: nada mais compreensível e justo que vocês me respondam tal questão. Eu sou muito modesto, é bem verdade. E posso dizer que procuro sempre dar atenção a todos aqueles que passam por aqui e prestigiam A Grande Arte. Faço questão absoluta de estar presente em todos os blogs que conheço, para prestigiá-los também, e expressar opiniões favoráveis – pelo menos na maioria das vezes ;) - ao que está sendo exposto. Mas quero ressaltar um comentário feito pela amiga Romeika. Ela disse que muitas vezes temos mais amigos aqui do que em nossas vidas cotidianas. Pois é, no meu dia-a-dia talvez eu não seja a pessoa mais sociável, mas na presença de vocês acredito que eu revele bastante da minha capacidade de relacionamento em grupo.

MEME da amizade
Você escolhe 10 amigos para declarar sua amizade e nomeá-los num post. Depois, você visita seus respectivos blogs e avisa sobre a nomeação. Cada um indica mais 10 nomes e assim sucessivamente. Não há selos nem prêmios, apenas nossa declaração sincera de afeto.

Esta é a melhor parte. Não pelo fato de nomear 10 amigos apenas, porque esta é uma tarefa complicadíssima, mas pela oportunidade de declarar afeto sincero por aqueles presentes na lista. Eu, graças a Deus, conseguiria elencar mais de 10 – mas seguirei as regras e procurarei colocar em minha lista aqueles que já fazem parte do meu cotidiano há longas datas. Também me imunizei do fato de muitos já terem sido repetidos, embora isto só prove o quanto estes que apareceram mais de uma vez pelas listagens são queridos dentro da comunidade.

São eles:

1 – Vinícius (Blog do Vinícius): Começo a lista com ele porque meu primeiro contato com blogs se deu no seu endereço. É um grande amigo, atencioso nas respostas e bastante inteligente na elaboração das mesmas. Consegue dizer tudo o que quer sucintamente, é bastante informativo e por tais atitudes, é claro, merece o respeito e admiração coletiva do grupo. Não é a toa que já foi vencedor na categoria principal da quinta edição do Prêmio Spoiler de Cinema e Blog. Merecido mesmo. Abraço especial, Vinícius!

2 – Wally (Cine Vita): Tomei conhecimento de seu endereço através do blogroll do Vinícius, e me surpreendi com seu detalhismo e minuciosidade ao elaborar críticas. Eu, por exemplo, posso dizer com toda a certeza: se você está curioso sobre as qualidades e defeitos de um filme, antes de assistí-lo, visite o Cine Vita. Lá, certamente você conhecerá os dois lados da moeda com riqueza de detalhes. Ah, e não têm spoilers, o que deixa tudo ainda melhor. Têm também o Cine Pulp, outro blog mantido por ele, e tão interessante como o Vita. O Wally é um grande amigo, ele sabe disso.

3 – Kamila (Cinéfila por Natureza): Além de sua presença radiante (o que só uma mulher consegue transmitir), a amiga Kamila é mesmo cinéfila. Assiste a uma  porção de filmes, e como ninguém, faz questão de nos informar suas impressões sobre os mesmos – através de passagens muito originais e uma singularidade magnífica de palavras. Eu sempre achei que seus textos tinham o poder de mexer com as emoções de quem está lendo. E a cada dia me certifico de que sempre tive razão a respeito. Abraço carinhoso, Kamila!

4 – Otávio (Hollywoodiano): Eu o vejo como o divertido da turma. Pelo menos é o que seus textos fazem comigo. Não pelo fato de rir apenas – porque realmente há passagens engraçadas, mas por me distrairem como nada na Internet. Otávio é convincente (daqueles que sabem defender suas idéias) e ao mesmo tempo de uma leveza incomparável, realçando o que ele quer defender, sem nunca parecer insistente. Compreenderam? Pois é, às vezes é difícil passar para um teclado tudo o que a gente sente…

5 – Pedro Henrique (Tudo é Crítica): Com o Pedro, a coisa funciona simplesmente assim – ou ele gosta ou ele não gosta. O rapaz joga duro com suas cotações, e esta é sem dúvida, uma de suas marcas registradas. Outra marca inconfundível é seu comprometimento em ser agradável com nós, que visitamos o seu blog. Também é muito presente – um daqueles que nunca deixam de postar comentários pelos blogs. Um amigo para todas as horas, pelo menos é o que se reflete em suas atitudes…

6 – Anderson (Rosebud é o Trenó): Este abusa da originalidade como ninguém, e te fornece chances de gargalhar e se informar de uma só vez. Como um jornal, que numa página apresenta a parte de crítica cinematográfica e musical e na outra, já vem com excelentes piadas. Já houve posts que eu simplesmente ri, ri, e não parei de rir por muito tempo… Um blog a ser frequentado sempre.

7 – Alex Gonçalves (Cine Resenhas): Nem sei se ele é o mais novo da turma, mas se for, podemos perceber que pouca idade não é sinônimo de infantilidade. Os posts de Alex são bastante detalhistas, ricos em informações, bem acabados, coisa de primeira necessidade. Ao menos fizeram muita falta quando ele saiu em recesso, há algum tempo. Percebo nele, além disto, uma facilidade muito grande para fazer amigos. É um colega gentil, agradável e educado. Resumindo, é gente boa mesmo!

8 – Daniell Castro (O Monolito): Um grande amigo, que descobriu A Grande Arte por acaso e através de seu link, deixou que eu tivesse a honra de conhecer O Monolito. Não me arrependi. Dono de uma personalidade peculiar que reflete em seus textos, Daniell procura informar, divertir, e acima de tudo, provocar reflexão. Grande garoto!

9 – Rodrigo Fernandes (Twentysomething): Sim, ele é formando em jornalismo. E reflete como ninguém tais atribuições dentro de seus textos. Original e tradicional. Alguém pode ser um pouco dos dois? Eu digo que o Rodrigo é. Além de entregar comentários inspirados e muito interessantes aqui no blog. Mais uma presença indispensável, um amigo a ser cultivado – te deixa mais inteligente, hehehe.

10 – Matheus (Cinema e Argumento): Talvez este seja o mais parecido comigo, porque sinto que ao ler o que Matheus tem para dizer, especialmente sobre as impressões que um filme lhe causaram, estou ouvindo a mim mesmo. Ele costuma apontar detalhes que eu mesmo percebo sempre. E isto faz com que, ao visitar o Cinema e Argumento, me enxergue dentro de casa.

Bom, possuo muitos outros amigos, e eles sabem da importância que exercem sobre o meu cotidiano. A minha lista de blogs reflete isto perfeitamente. É o que eu sempre digo: entra nela apenas aqueles para quem realmente guardo bons sentimentos. E todos podem se considerar donos da minha amizade sincera.

É isto. Um abraço forte a todos vocês e parabéns pelo trabalho que fazem pela Internet. Seja informando, opinando ou criando novas amizades – esta, a melhor parte.

Até já para todos!

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Até Já, Amigos

Abril 12, 2008 at 12:55 pm (Blog)

Por conta de um estágio que venho desenvolvendo com uma professora de minha universidade, estarei extremamente ocupado na próxima semana – de modo que infelizmente, o blog estará temporariamente sem posts neste período. Efetuarei viagens para cidades próximas à minha – e portanto, não terei muito contato com computadores, o que me impossibilitará de atualizar A Grande Arte. Conto com a compreensão de todos vocês e desde já agradeço a todos os amigos.

Bom final de semana!

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Medo da Verdade

Abril 9, 2008 at 12:38 am (Críticas)

Não havia motivo para que Medo da Verdade fosse preterido das exibições no cinema. É uma trama que reúne uma história relativamente intrigante e potencialmente atrativa, um elenco surpreendentemente bem sintonizado e talentoso, uma direção soberba de primeira viagem, uma indicação ao prêmio máximo de cinema. Enfim, uma obra tão intensa – que promove no espectador uma aceitação praticamente imediata.

Dois detetives particulares, Patrick Kenzie (Casey Affleck) e Angela Genarro (Michelle Monaghan), são designados para descobrir o paradeiro de uma garota de quatro anos, desaparecida em circunstâncias misteriosas. Pouco a pouco, vão se envolvendo profundamente no caso, e, para tanto, tomando conhecimento de uma profundo e intrincado jogo de surpresas, que transforma radicalmente a maneira que ambos enxergam a si mesmos, seus valores e profissões.

Baseado na obra de Dennis Lehane (autor do best-seller Sobre Meninos e Lobos), o roteiro do filme, que sofreu adaptação muito competente de Aaron Stockard, foi criado em parceria com Ben Affleck, também diretor do filme. Não há dúvidas de que o ator fez um trabalho admirável atrás das câmeras, com algumas sequências absolutamente perfeitas – e um produto digno de aplausos como um todo. O irmão de Ben, Casey, que protagoniza o filme, mostra talento em outra vertente. No papel do ativo detetive Kenzie, Casey abusa de sua capacidade de interpretação, entregando seu segundo – e excelente - papel no cinema do ano de 2007. Sua narrativa em off  simplesmente dá o tom que parecia faltar ao clima de suspense implícito em filmes do gênero. Não obstante, ainda é possível admirar o trabalho da desconhecida Amy Ryan, que até agora não havia entregue nenhuma atuação que despertasse atenção em massa. O Oscar provou, que na categoria de atriz coadjuvante, era mesmo necessário guardar uma indicação para ela. No papel da mãe da garota desaparecida, ela resvala entre o suposto desinteresse e reações óbvias de sofrimento, intrigando a opinião pública da cidade de Boston – onde toda a história se desenvolve.

Medo da Verdade é mais um excelente filme que se apóia basicamente num elenco forte, numa direção segura e num roteiro primoroso para alcançar o sucesso. E a junção de tais fatores desenvolve uma produção policial metodicamente satisfatória, com todo o charme e tensão das investigações criminais somadas a precisos e oportunos estudos sobre a mente humana – e o poder que quaisquer ações da sociedade podem exercer sobre a vida de cada um. Lugar garantido entre as melhores produções lançadas no Brasil em 2008, mas, infelizmente, pouco reconhecida pela maioria dos prêmios lá fora.

NOTA: 9,0   

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