Conduta de Risco

Depois de uma longa espera que ultrapassou quatro meses, finalmente pude conferir o excelente thriller Conduta de Risco, a singela obra-prima do diretor estreante Tony Gilroy. É uma experiência notável e única, uma produção digna de aplausos - não apenas pelo domínio magnífico do suspense, mas também pelo conjunto de atuações que fazem do filme um dos mais coesos e brilhantes retratos de elenco em sintonia absoluta que tive o prazer de atestar.
Michael Clayton trabalha numa poderosa firma de advocacia e tem como função contornar os erros dos clientes da empresa, de modo que nenhum tipo de culpa ou escândalo recaia sobre os mesmos. Porém, quando um velho amigo de Clayton, também advogado, sofre um colapso e resolve colocar à tona todas as irregularidades da agroquímica U/North, cliente da firma de advocacia, ele é colocado em ação – com intuito de frear as intenções do colega. É a partir daí que ele percebe o homem frio e calculista que o emprego o transformou.
O roteiro, também de autoria de Tony Gilroy, é um exemplo claro de como a manipulação das grandes corporações sobre a sociedade é intensa e abrangente. A agroquímica do filme está sendo responsabilizada por contaminar mais de 400 pessoas com resíduos de um herbicida tóxico, e como toda e qualquer empresa que se preze, quer defender o próprio lado da moeda - priorizando seus interesses em detrimento da verdadeira justiça. Tom Wilkinson interpreta o advogado que se dedica por anos à preservação da integridade moral da U/North, e que ao se dar conta da imensa monstruosidade que vêm cometendo com inocentes, decide voltar-se contra a agroquímica. O ator inglês entrega mais uma atuação extraordinária, que se encaixa perfeitamente dentro da categoria coadjuvante. Seu personagem é um dos combustíveis do filme, uma peça indispensável para o andamento e conclusão da história. Imagino que o Oscar deveria tê-lo premiado este ano; principalmente pela grandiosidade de seu trabalho e toda a magnitude que ele consegue lançar sobre o público. Sublime.
Outra agradável e devastadora atuação veio da também inglesa Tilda Swinton. No papel da poderosa diretora da U/North, Karen Crowder, Tilda simplesmente deu uma minuciosa e contemplativa aula de como se deve atuar. Cada instante em que ela aparece em cena é um primor de talento e desenvoltura, algo realmente a ficar na memória. Seu Oscar foi merecidíssimo, e como não podia deixar de ser, sua atuação me conquistou de verdade, uma das mais ricas coadjuvantes que o cinema já viu.
Até George Clooney, um ator que demorou séculos para encontrar seu lugar no cinema – atrás das câmeras, eu diria - convence como um advogado em crise de consciência. Ele representa bem a carga dramática de Clayton diante da desestruturação de sua carreira e vida pessoal, e a última cena do filme, onde ele se confronta com Karen e toda a frieza da U/north merece o desígnio de algo apoteótico.
Conduta de Risco, é antes de tudo, uma produção cinematográfica rica em interpretações. Como disse no início da crítica, o elenco apresenta uma sintonia louvável, que, competentemente regida pelo roteiro e direção de Gilroy, fazem do filme uma obra a ser vista e revista, um exemplo potencial de como a ganância e o orgulho de uma instituição solidificada modificam tudo – absolutamente tudo – em sua volta.
NOTA: 8,5 ![]()
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Wally disse,
Abril 3, 2008 às 1:45 am
Excelente filme mesmo! To querendo muito rever, mas to sem tempo mesmo. O desfecho não sai da minha memória. Alias, o filme todo. As atuações, os diálogos poderosos e as metáforas valiosas. Um filmaço!
Nota 9,0 [*****]
Felipe Nóbrega disse,
Abril 3, 2008 às 1:52 am
Assisti ao filme nesse fim de semana e fiquei com a mesma sensação que você. Acima de tudo ´eum filme que tem um ar de produção anos 70, no sentido de resgatar uma verborragia e poder dos dialogos que poucas vezes é visto nos filmes atuais.
Somado a isso temos as atuações impressionantes. George Clooney nunca esteve melhor. Ele passa um peso, uma vontade de ter uma redenção que ele mesmo sabe que não é possível, pois está de tal forma na lama – o que torna seu personagem ainda mais sensacionalmente bem escrito e atuado.
Tilda Swinton d´aum show e entrega uma personagem que me questiono se é uma vilá ou um retrato do mundo das negociatas que vivemos – pois classifica-la como vila seria um pouco maniqueísta. e Tom Wilkinson d´aoutro show (anida nao assiste Javier Bardem) merecedor de prêmios. Será que se ele tivesse mais tempo levaria mais estatuetas para casa?? Seu personagem é alucinadamente divertido e as vezes me pareceu que ele é o alter ego do público.
é isso!
Vinícius P. disse,
Abril 3, 2008 às 2:02 am
Puxa, finalmente viu o filme, hein? Que bom que gostou, realmente as opiniões dos blogueiros foram bem favoráveis. E concordo com tudo que li, realmente “Conduta de Risco” merece aplausos e o elenco é dos melhores que vi em produções do ano passado – com destaque óbvio para a oscarizada Tilda Swinton. Grande revelação esse Tony Gilroy…
Rogerio Scheidemantel disse,
Abril 3, 2008 às 11:18 am
To querendo ver novamente agora em DVD. Quando vi no cinema, achei um pouco embaralhado o inicio do filme, oq tirou alguns pontos pra mim. Mas quem sabe agora, um pouco mais concentrado, eu consiga ver coisinhas que me deixaram confuso a primeira vez.
Abs!!
Pedro Henrique disse,
Abril 3, 2008 às 2:45 pm
Elenco muito bem escolhido e muito bem representado teve Conduta de Risco.
Essa cena da foto que você postou é ótima. Gilroy deve seguir por esse caminho…
7.0
Abraço!!!
Rodrigo Fernandes disse,
Abril 3, 2008 às 5:06 pm
OI, weiner.. tbm vi recentemente esse filme do Tony e tbm curti muito… achei que de certa forma o filme acaba complicando mutio o tema principal, enrolando muito a trama em determinados momentos, demora pra vc entender a real situação do advogado (faxineiro, né?!?! hehe), mas pensando melhor até nisso gostei, pois é uma trama que vai te envolvendo e que atuação foi áquela do advogado que a firma acha que ficou maluco (esqueci o nome dele agora) putz, mutio boa interpretação dele, além de um Clooney merecedor do primeiro oscar da carreira dele.. o problema é que o faxineiro encontrou pela frente um furacão chamado Day-lewis, aí fica complicado, mas acho que ele levava se não fosse o Daniel…
abraços
Kamila disse,
Abril 3, 2008 às 7:04 pm
Acho este filme extremamente superestimado. Não tem nada de obra-prima….
As únicas coisas que me agradaram foram o roteiro e a atuação de Tilda Swinton.
Otavio Almeida disse,
Abril 3, 2008 às 8:50 pm
Eu gosto do filme. Acho bom! Tem ótimos atores em grandes momentos. Adoro o final e o roteiro é excelente.
Abs!
Matheus disse,
Abril 6, 2008 às 12:44 am
Esse é um filme que preciso rever urgentemente. Quando vi no cinema, achei muito complicado e confuso, por isso não gostei tanto. Acho que com uma releitura vou apreciá-lo mais. Gosto bastante dos desempenhos. Mas o que mais me surpreendeu foi George Clooney, provando que seu Oscar por Syriana foi mesmo prematuro. Nota 8.0.
Weiner disse,
Abril 7, 2008 às 12:33 am
WALLY, eu não imaginava que fosse gostar tanto. Quando eu aluguei o dvd, não resisti e assisti duas vezes seguidas. Isto para absorver todos os detalhes da história. Abraço!
FELIPE, que bom que gostou do filme, acaba de entrar para as estatísticas como mais um apreciador deste maravilhoso thriller. Realmente o elenco é o responsável pela magnificência do longa-metragem, sem atores capacitados para papéis tão densos, o resultado seria ínfimo. Clooney me surpreendeu um pouco – na verdade não sou fã do ator, prefiro seus trabalhos de direção, mas devo admitir que neste ele superou minhas expectativas. Realmente não houve o famoso “muito barulho por nada”. Abraço!
VINíCIUS, pois é, finalmente conferi o filme de Gilroy – e devo dizer que se manteve dentro das expectativas. Lembro de ficar apreensivo por não ter visto o filme no cinema, e tudo ficou acentuado quando acompanhei sua premiação de melhores do ano de 2007 no blog. Por fim, adorei o filme, muito bem dirigido, atuações poderosas, roteiro sensacional. E indicações merecidas ao Vini Awards!
Abraço!
ROGERIO, também fiquei meio perdido no início, e para tanto, revi o filme logo que terminei a primeira sessão. Reveja, é tão bom que nem tem como se arrepender. Abraço!
PEDRO, realmente as atuações são o carro-chefe de “Conduta de Risco”. A cena final é uma das mais envolventes do ano. Abraço!
RODRIGO, curti o filme muito, achei a história um tanto intrincada no início também, e pude sanar minhas dúvidas com uma revisão imediata. Como um todo, é uma produção fantástica mesmo. Me remeteu ao universo dos livros de John Grisham, que eu sempre adorei. O Clooney já ganhou um Oscar em sua carreira – mesmo que pouco merecido: foi em 2005, como coadjuvante de “Syriana”. Abraço!
KAMILA, respeito sua opinião, embora tenha percebido que tenha uma contrária. Engraçado é que eu tinha o maior medo de me decepcionar com o resultado – tamanha era minha expectativa – mas no fim tudo saiu em perfeito estado de satisfação. Abraço!
OTAVIO, é um filme que se baseia nisso: roteiro, direção e principalmente atuações. Por tal motivo o acho tão especial – é harmônico no que um filme tem de principal. Abraço!
MATHEUS, também acho que uma releitura nos faz compreender melhor os porquês. Muitos filmes são assim comigo. “Beleza Americana” é um exemplo. Tinha visto uma vez e considerei superestimado. Ao rever com calma – seis anos depois – passei a adorar. Abraço!