Speed Racer

Minha animação com a temporada de blockbusters sofreu um duro golpe quando encerraram a sessão de Speed Racer. Um filme para ser visto sem nenhuma expectativa ou pretensão, vou logo lhes advertindo. O máximo que esta esquizofrênica produção da Warner pode causar é uma sensação de simpatia para os amantes de “um céu de estrelas multicoloridas”.
Conheço pouco sobre o desenho animado da década de 60, mas nossos pais certamente têm opiniões positivas sobre a animação japonesa. Como produções do gênero possuem censura livre, abusam dos velhos moldes cinematográficos para conquistar o público: um grande acontecimento que guarda em suas entrelinhas lições sobre a vida e os valores humanos. Tais características já constituem um bom divertimento. Mas a trajetória do garoto de 18 anos - campeão das pistas, que carrega o nome de sua família pelos autódromos e se orgulha disto - só se completa quando descobre um engenhoso esquema de trapaças dentro das competições, que tem como objetivo beneficiar grandes empresas envolvidas. O jovem lutará pela verdade. Clichê, não?
Os irmãos Andy e Larry Walcowisk, responsáveis pelo surpreendente Matrix, apresentam uma direção imbecílica. Não vá ao cinema esperando algo como a trilogia do “simulacro”. Ao menos que você se contente com uma visão irreal e fantasiosa do mundo. Quem consegue, em sã consciência, se imaginar no mundo de Speed Racer? Existe um uso abusivo de cores extravagantes, que cansam os olhos logo nas primeiras cenas. Algo exageradamente berrante, por vezes insuportável e enjoativo como um todo. A busca por uma identidade levou este filme a um execrável visual futurista e infantil, um gibi com problemas de impressão, nada mais.
A aposta em nomes como Emile Hirsch e Susan Saradon não seria ruim se suas atuações não ficassem presas a um lugar-comum de caras e bocas. Hirsch não dá ao personagem a simpatia necessária, chegando a construir uma aura de prepotência e falsidade em algumas cenas. Os anseios de seu Speed Racer são tão sentimentalóides e desprezíveis que ao invés de gostarmos do personagem, tanto faz se ele morrer ou sobreviver num acidente do circuito. Circuito, aliás, percorrido com a velocidade da luz, diga-se de passagem. Os carros atingem um patamar altamente imaginativo, pulando a alturas tremendas e escalando paredes como lagartixas.
Reparar em falhas tão grotescas pode ser cruel quando o objetivo do estúdio é apenas entreter com sua fantasia. Mas para nós, espectadores, nada mais justo que um filme ao mínimo interessante, como foi o caso de O Homem de Ferro (este mais que interessante). Assistir a Speed Racer no cinema tem apenas uma vantagem: usufruir dos efeitos sonoros impecáveis. De resto, talvez nem uma criança se sinta plenamente satisfeita com o que se passa na tela.

NOTA: 4,0 ![]()
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João Paulo disse,
Maio 10, 2008 às 2:03 am
Funciona para quem é fã …
uma simples frase que resume Speed Racer …
encarnou completamente a atmosfera dos desenhos e agora compreendi a mesma sensação que teve os fãs de Transformers no ano passado …
Pedro Henrique disse,
Maio 10, 2008 às 2:07 am
Não tenho coragem de ver esse filme no cinema, caro Weiner. Motivo: estou tão empolgado com o ótimo Homem de Ferro que não creio que possa ter duas adaptações tão boas no mesmo ano. Bobo, eu sei, mas prefiro ficar com a dúvida.
Até por que 4,0 é uma nota que já alimenta mais ainda esse sentimento, rsrsrs.
Abraço!!!
Marcel Gois disse,
Maio 10, 2008 às 2:14 pm
Confesso que estava bem curioso para assistir “Speed Racer”, mas depois do seu texto e nem estou mais tão curioso assim. Pretendo conferir, mas sem maiores expectativas. Diferente de “O Homem de Ferro” que todos falam maravilhas.
Rodrigo Fernandes disse,
Maio 10, 2008 às 7:08 pm
tenho mais vontade de ve-lo nos cinemas por causa dos efeitos, das grandes cenas d corrida, enfim, do visual exagerado de proposito criado pelos irmãos Wachowski, do que por qualquer outra coisa… espero não me desapontar…
Weiner.. faz tempo que não entro aqui, tinha perdido seu link e aí lembrei que tava na minha lista de favoritos do blog, ehhehe…
Viu que eu mudei de blog, mas continuo o mesmo, hehehe… e agora não eprco masi seu link..rs
abraços!!!
Kamila disse,
Maio 10, 2008 às 8:04 pm
Weiner, vou discordar de você. Acho que o visual do filme (incluindo aí o uso das cores berrantes) foi um dos pontos mais fortes de “Speed Racer”, junto com as cenas de corrida. Os personagens da obra são muito carismáticos e foram interpretados por um elenco muito bom. No entanto, vamos concordar num ponto: esse é um filme para se ver sem pretensão alguma, porque ele é uma pura diversão.
Vinícius P. disse,
Maio 10, 2008 às 9:08 pm
Puxa, é tão fraco assim? Confesso que não tenha muita curiosidade em relação a esse filme, mas só por ser dos Wachowski já esperava algo digno de nota. Pelos trailers parece ser exagerado, mas aguardo um bom filme ao menos quanto ao aspecto visual.
Rogerio Scheidemantel disse,
Maio 10, 2008 às 10:47 pm
Weiner, admito que nao tive muito interesse de ir ao cinema, justamente por saber dessas corridas imaginarias e saltitantes. Adoro automobilismo, e por isso, certas fantasias sao heresia ao mundo da velocidade, ainda que o espirito seja esse mesmo da raiz da historia.
Com sua resenha, creio que pouparei os 28,00(meu ingresso e da patroa) para 15 minutos de kart, aqui no nosso mundo.
Abs!!
Robson Saldanha disse,
Maio 11, 2008 às 12:40 am
Estou vendo que não está agradando né? Não sei bem a história e vou continuar assim, fiz isso com Iron Man e deu certo, já com esse não sei. Mas vai assim mesmo, essa semana devo conferir!!
Wally disse,
Maio 11, 2008 às 6:42 am
O filme nunca me interessou, mas fiquei com vontade de ver. Algo que devo fazer hoje. Mas você meio que me desanimou. Primeiro Matheus, agora você. Fiquei com medo e receio…veremos.
Ciao!
Daniell Castro disse,
Maio 12, 2008 às 7:21 pm
Nossa, que pena que você não gostou, porque eu adorei! Adorei todo aquele exagero!
Matheus disse,
Maio 15, 2008 às 12:06 am
Péssimo filme. Histérico, infantil em excesso, sem charme e totalmente sem vida. Uma grande decepção. Nem os pontos positivos salvam.
NOTA: 5.5
Weiner disse,
Maio 17, 2008 às 4:23 am
Concordo em gênero, número e grau com o Matheus. É um filme histérico, infantilizado, sem charme, imbecil, que não apresenta pontos positivos suficientes para salvá-lo de uma cotação tão vergonhosa. Respeito muito a opinião daqueles que gostaram (Daniell e Kamila), mas continuo não recomendando para todos que ainda não viram. Mas, vá lá! No DVD o estrago vai ser menor…
Grande abraço a todos!