
Antes de ser duramente criticado por ter assistido a isto no cinema, quero me defender. Recebi o convite forçoso de uma prima de dez anos, que precisava de companhia e me pediu que o fizesse em nome de nossa boa relação. Gosto da minha prima – e somente por ela me sacrifiquei a fazer isto -, mas admito que nem mesmo ela, tão infantil, saiu completamente satisfeita com as babaquices de Renato Aragão e sua filhota tão ou mais insossa em papéis cômicos. Até eu conseguiria colocar uma criança no bolso, ou melhor, levá-la na conversa. Mas o cinema do eterno Didi não consegue mais…
A história é a mesma coisa de sempre, aos moldes de um trapalhão ultrapassado. Um oficial europeu vai à guerra e deixa sua filha aos cuidados de um mestre oriental. A menina passa a receber treinamentos milenares, em busca de aprendizado e auto-conhecimento. Já não vejo lógica nisto, mas tudo bem, continuemos a falar do roteiro. Num fatídico dia, a menina recebe a notícia de que seu pai desapareceu nos campos de batalha, e que deverá retornar à Europa para receber agora os cuidados de uma tia, que por sinal, detesta crianças. O motivo dela detestar os pimpolhos é patético e inexplicável, vou logo adiantando. Mas, deixemos as idiotices de lado outra vez… Ao lado de Didi, seu mais novo escudeiro, a menina parte para o continente europeu e luta contra as vilanias de uns vilõezinhos repetitivos que nem merecem ter suas maldades bizarras descritas aqui.
Gostaria de abrir um parênteses nesta resenha e lançar uma pergunta a todos vocês. Didi foi um excepcional humorista no tempo dos Trapalhões, um saudoso seriado que fez imenso sucesso nas décadas de 70 e 80. Hoje, está reduzido a trinta minutos entre o Esporte Espetacular e a Temperatura Máxima, como uma espécie de bloqueio mental que a Rede Globo permite entre duas atrações bem acima da média. Se a criatividade do humorista mais xarope do país não tem espaço na TV, que o cinema lhe aguente. Há dezenas de séculos que não se vê um filme brasileiro - voltado ao público infantil – que realmente compense legar alguns minutos. É, porque Xuxa, Didi, Angélica e etcéteras já saturaram geral. Porém, ainda existe alguma produtora maluca (novidade!) que desembolsa dinheiro para bancar estas besteiras. Pedi que minha prima avaliasse o filme, de 1 a 10. Isto para não dizer que minha idade avançada (20 anos) me torna arbitrário e preconceituoso. A resposta foi um duro golpe para Didi, imagino. Ela o avaliou com um 4. Tenho certeza que o trapalhão não esperava que seu fiel público (a galerinha) visse seu mais novo projetinho com olhos de gente grande.
Com um elenco recheado de atores globais - alguns até semi-talentosos -, que aceitam fazer tal esquizofrenia para interromper o ciclo de papéis dramáticos de suas carreiras e soltar gargalhadas forçadas (em respeito a Renato Aragão), o filme realmente não se vale de absolutamente nada. As piadas, que deveriam ser o ponto alto desta brincadeira de criança, são patéticas e totalmente fúteis. É, porque cérebros em formação mereciam umas piadinhas mais elaboradas… A produção te rouba uma hora e meia da vida, descaradamente, sem pudor mesmo. Poderia estar lendo meus e-mails, plantando uma árvore, fazendo os deveres de faculdade, ajudando a mãe nas tarefas domésticas – ou para aqueles mais exigentes, contando os fios de cabelo mesmo! Desculpem a ironia, mas o que vou fazer aqui é inédito. Nunca, na história deste blog, havia avaliado um filme com nota 0. Desculpa, Didi. Ou será que se eu tivesse assistido a outra produção do senhor esta nota 0 já não teria saído há mais tempo?
