WALL – E

Julho 9, 2008 at 4:06 pm (Críticas)

Desde que Walt Disney lançou sua primeira animação, o simpático e obrigatório Branca de Neve e os Sete Anões, já sabíamos que era um gênero que iria durar para sempre. Auxiliadas por roteiros consistentes e de forte apelo emocional, as animações representam toda a pureza que o cinema pode oferecer, tratando de assuntos que muitas vezes nos servem como auto-ajuda e auto-conhecimento. Setenta e um anos depois, com uma tecnologia extraordinária agregada a este tipo de filme, a Disney e a Pixar nos apresentam Wall-E, um trabalho de mestre que ultrapassa a barreira do espetáculo. Os olhos brilham com o uso magistral dos quesitos técnicos, e o coração agradece por uma história tão sincera e profundamente humana.

Wall-E é um robozinho dotado de sentimentos muito nobres, construído com finalidade de limpar a Terra de toda a sujeira produzida pelo homem em 2700 anos de história. Sim, o filme se passa num futuro inalcançável para todos nós, além de qualquer expectativa para nossas vidas. O ser humano já não pode mais habitar o planeta, e sobrevive em imensos cruzeiros espaciais, à espera de que o planeta azul se torne habitável um dia. Solitário, Wall-E se ocupa na desinfecção de todo e qualquer lugar por qual ele transite. É no meio de suas faxinas que o robozinho separa as coisas humanas que lhe agradam à primeira vista. Como por exemplo, uma fita do musical “Hello, Dolly”, encenado nos tempos dourados da Broadway. Ele o assiste com todo o carinho, resgatando a ternura e simplicidade que envolviam o roteiro do espetáculo. Seus sentimentos afloram com a mais pura simplicidade, e ele vê o quanto pode ser doloroso ficar sozinho. Um dia, uma robô chamada Eva é enviada à Terra para buscar vestígios de vida humana. O destino a coloca diante de Wall-E, e eles fortalecem grande amizade.

Andrew Stanton ocupou-se de dirigir e escrever esta obra-prima. Reviravoltas (que se eu estender na descrição podem transformar-se em spoilers) acontecem, e toda a mensagem que o filme quer trazer se torna explícita logo no início da projeção. É gozado perceber que Wall-E, ao presenciar a maneira como os humanos vivem em seu tempo, repudie aquele tipo de existência. Isto prova o quão sinceras são suas sensações, e embora ele não tenha coração, se o tivesse, representaria em detalhes como os nossos deveriam ser para que atingíssemos o nível perfeito de convivência com nossos semelhantes. Viver numa sociedade egoísta, que exclui automaticamente os distintos, consome tudo o que vê pela frente, e pouco se preocupa em criar laços com o próximo – é o principal motivo pelo qual se destrói um habitat. E a Humanidade do filme parece não aprender com os erros. Um dia nos confrontaremos com nossa própria auto-destruição, é o que Stanton diz nas entrelinhas de seu poderoso roteiro… Existe uma comparação intencional com o filme 2001-Uma Odisséia no Espaço. Se, no filme de Kubrick, o homem era apresentado a uma nova perspectiva do universo, aqui a lição é a mesma, só que ainda mais interessante. Como se, a cada minuto, viesse em nossa mente a necessidade de preservar o nosso berço, e preperá-lo com dignidade para o futuro.

Outra característica a se louvar, é a de que Wall-E quase não apresente diálogos. Mas o uso perfeito da técnica suprime a necessidade dos mesmos, enquanto o roteiro procura extrair toda a beleza da película através dos trejeitos e mímicas do robozinho, carregadas da mais linda emoção. Enxergar Wall-E como um dos melhores filmes do ano, e a melhor animação de todos os tempos pode parecer exagero, mas estas nomeações surgem com naturalidade ao terminarmos a sessão de cinema. Sim, a Pixar conseguiu um feito heróico com Ratatouille em 2007, mas definitivamente conseguiu se superar. É bonito ver que ainda existe criatividade no cinema contemporâneo. É engrandecedor sair do cinema após absorver a lição de vida de Wall-E. Ele nos dá a sensação de que podemos ser pessoas melhores. E que o mundo ainda pode ter solução. Basta que a pureza de um personagem tão magnífico impregne nossos interiores.

NOTA: 9,5  

11 Comentários

  1. Isabela disse,

    Quero por demais ver esse filme, primeiro porque adoro animações, e depois porque as pessoas tem falando tantas coisas boas desse filme que só me deixou com mais agua na boca.

  2. Kamila disse,

    Mesmo tendo amado “Wall-E”, ainda considero “Ratatouille” o melhor filme feito pela Pixar. No entanto, há que se louvar a iniciativa do estúdio, porque “Wall-E” é um filme maduro, feito por uma produtora que veio mesmo para mudar a maneira como as animações são vistas. A partir de agora, o gênero passará a ser dividido em “antes e depois da Pixar”.

  3. Vinícius P. disse,

    Fazia tempo que não via um filme tão elogiado por esse, acho que “WALL-E” é uma unanimidade e superou “Ratatouille” entre os longas da Pixar e de animação em geral. Enfim, a produta chegou a um nível tão inacreditável que não me importaria se seus próximos projetos não tivessem a mesma força dessas duas obras-primas!

  4. Marcel Gois disse,

    Também concordo que a Pixar se superou com Wall-E, de longe a melhor animação que eu já assisti. A parte técnica é impecável, e o fato de quase não ter diálogos e mesmo assim se manter tão interessante ou até mais do que tantos outros, não há nem como discordar, é louvável

  5. Robson Saldanha disse,

    Assisti hoje e concordo com tdo que falou. É um filme muito bom de se ver, agradabilíssimo e com um fundo super interessante. Porém acho que preciso rever, e só depois postarei algo a respeito!

  6. Rafael Moreira disse,

    O filme é perfeito em todos os aspectos! De certa forma, dizer que é o melhor do ano é exagero, mesmo assim não há como não apaixonar-se por Wall-e (o personagem)… Sim! Acho que “Wall-e” supera “Ratatouille”. É ótimo sair do cinema e saber que a Pixar existe e, com certeza, continuará nos presenteanos com esses verdadeiros clássicos do cinema contemporâneo!

    ‘té mais

  7. Lucas disse,

    O supra-sumo da Pixar.

  8. Pedro Henrique disse,

    Só eu não vi ainda…

    Abraço!!!

  9. Wally disse,

    Parabéns pelo texto! O filme é mesmo gloriosamente brilhante, maravilhoso em cada minucioso detalhe. Minha animação preferida EVER!

    Nota 9,5 [*****]

    Ciao!

  10. Marco disse,

    Acho que o mundo todo caiu de paixões por esse filme menos eu. É um filme muito bom, não me entenda mal, mas não me pegou de jeito.

    Mas pelo menos num aspecto concordamos: a Pixar é foda!

  11. Weiner disse,

    ISABELA, será um daqueles ótimos casos em que as expectativas não só serão correspondidas – como superadas, você vai ver. Abraço!

    KAMILA, eu tinha Ratatouille como minha animação preferida, mas como você mesma disse, experimentamos uma maturidade muito interessante, que antes não existia em filmes do gênero. Isto me fez ascender “Wall-E” para a primeira posição. E viva a Pixar! Abraço!

    VINÍCIUS, a tendência é que a Pixar dê uma freada na produção de obras-primas para os próximos anos, mas se isto não ocorrer, puxa, como vou ficar feliz! Uma produção extraordinária por ano seria um sonho! Abraço!

    MARCEL, a Pixar nasceu para ser destaque entre tudo e todos (vide seus últimos cinco trabalhos). Quem ganha com isso somos nós, pois um simples ingresso nos leva às mais fabulosas lições de vida – coisa que antigamente não existia em animações. Abraço!

    ROBSON, aquele velho ditado ” a primeira impressão é a que fica” não se aplica ao cinema, já percebeu? Revisões quase sempre nos permite observar um filme que gostamos com muito mais carinho. E espero que isto aconteça quando lançar sua crítica no “Portal Cine”. Abraço!

    RAFAEL, por pouco não o coloco na minha lista como melhor filme do ano. Uma revisão de “Atonement” me fez preferí-lo a “Wall-E”. A Pixar conseguiu o triunfo máximo ao inserir assuntos tão atuais sem se tornar cansativa e careta (e logo num filme de animação). Portanto não é um exagero. Abraço!

    LUCAS, a melhor descrição que já vi foi esta. Abraço!

    PEDRO, fique tranquilo… Expectativa, nestes casos, é uma beleza! Abraço!

    WALLY, obrigado! Imagina se a Pixar vier com uma produção que supere “Wall-E” ano que vem? “Ratatouille” era a minha animação preferida EVER, e agora não é mais. Abraço!

    MARCO, caí de paixão mesmo. Acho que personagens sinceros e sofridos mexem com as emoções do homem como nada e ninguém. Mas você acha a Pixar é foda, como todos nós, está prestes a cair de paixões também. Que tal tentar uma revisão? Abraço!

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