A Casa dos Espíritos

Setembro 29, 2008 at 6:16 pm (Tenho em casa)

 

O diretor Billie August (de Pelle, o Conquistador, filme este vencedor do Oscar de produção estrangeira em 1988), na tentativa de levar às telas a complexa epopéia da escritora chilena Isabel Allende, produziu uma obra de grande beleza visual, mas que peca principalmente na excessiva duração e no roteiro descompassado, que por sinal, é também assinado pelo diretor dinamarquês.

Mostrando o cotidiano da família Trueba, de Santiago, a história têm início quando o impulsivo Esteban Trueba (interpretado por Jeremy Irons em um dos melhores papéis de sua carreira) compra uma imensa fazenda no interior de seu país, e, dentro de alguns anos, transforma-a num dos latifúndios mais produtivos do Chile. Para tanto, ele explora os seus trabalhadores excessivamente, chegando ao nível da escravidão. Mas é pela mente de um dos filhos dos escravizados (vivido por um péssimo Antonio Banderas), que surge a idéia de criar uma rebelião. A esta altura, ele já está casado com a sensitiva Clara (a sempre competente Meryl Streep), uma mulher doce porém problemática, que desperta na irmã do protagonista (Glenn Close) uma súbita e forte simpatia, que a Esteban representa lesbinianismo. As intrigas familiares partem daí, até que o destino faz com que a filha do casal (Winona Ryder) se apaixone pelo personagem de Banderas e lute ao seu lado durante a Revolução de 1970, que culmina na morte do presidente Salvador Allende (sim, ele é avô da escritora Isabel Allende).

Um longo panorama, que se estende de 1920 e acaba em 1970, é delineado em pouco mais de duas horas e meia de projeção. Pode parecer pouco para contar um período de 50 anos, mas na verdade é tempo desperdiçado. Há um sem-número de passagens absolutamente desnecessárias, que mais parecem estar ali no intuito de que o filme atinja longa duração. Outra coisa bastante estranha é o título que a produção recebeu de alguns, que o chamam de híbrido de …E o Vento Levou e Dr. Jivago. No meu entendimento, falta uma série de coisas que os dois outros filmes possuem. Na produção extraordinária de David. O. Selznick, … E o Vento Levou, existe uma edição primorosa, que consegue ordenar o decorrer do tempo com clareza suficiente – e os 220 mniutos passam quase imperceptivelmente. Neste, a edição de Janus Billeskov Jensen é tão lenta e maçante que provoca sono (cenas intermináveis, com diálogos excessivos e pouco explicativos – ponto a menos para o roteiro de August). De Dr. Jivago, ele herdou tudo de aborrecido e inexplicável, mas perdeu em fotografia (o trabalho de Jörgen Persson é prejudicado pela péssima qualidade da imagem do DVD) e trilha sonora (Hans Zimmer não consegue emocionar o espectador, como conseguiu Maurice Jarre).

Portanto, analisando apenas o contexto épico, pode-se dizer que A Casa dos Espíritos quase chega a ser uma mistura dos dois filmes citados. Reúne as características de uma epopéia, principalmente por contar a saga de uma família; mas cancela boa parte do valor histórico ao utilizar-se abusivamente dos clichês e dispensar pouca (ou quase nenhuma) atenção à cultura e tradições do povo chileno.

NOTA: 5,5 

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Saudades de Paul Newman

Setembro 27, 2008 at 4:30 pm (R.I.P)

“Sentiremos saudades de nosso amigo Paul Newman, mas temos sorte de ter conhecido uma pessoa tão formidável”.

Robert Forrester, vice-presidente da Newman’s Own Foundation criada pelo ator, em comunicado.

O grande ator, ícone do cinema e admirado por uma legião de fãs (especialmente eu), morreu no dia 27/09/08, após perder a batalha para o câncer de pulmão. 

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Love Story – Uma História de Amor

Setembro 25, 2008 at 12:58 pm (Tenho em casa)

Considerado por muitos (especialmente os eternos apaixonados) como um dos melhores filmes de romance de toda a história do cinema, Love Story (1970) pode sim se orgulhar deste título. Poucas produções do gênero conseguiram dosar com tamanha maestria momentos extremamente engraçados com situações profundamente emocionantes. Foi o filme de maior sucesso da Paramount até aquele ano, conquistando crítica e público de modo impressionante.

Os atores Ryan O’Neal (desaparecido, exceto em casos policiais, quando foi acusado, em 2006 de atentar contra a vida do próprio filho) e Ally McGraw,  receberam justamente suas indicações ao Oscar, ao interpretar um casal pouco convencional. Ele, rico, e herdeiro de uma fortuna considerável, se apaixona casualmente por ela, suburbana e bibliotecária. Talvez a sinopse pareça maçante e mesmo clichê, mas é através do uso destes elementos que o roteirista Erich Segal (também indicado ao Oscar) consegue levar às telas uma verdadeira história de amor – que dosa elementos trágicos e cômicos com toda a naturalidade possível.

É importante destacar a trilha sonora de Francis Lai (vencedora do Oscar), que brindou o mundo com a extraordinária Love Story Theme, uma das mais românticas e pungentes trilhas já criadas para retratar uma história de amor nos cinemas. A direção de Arthur Hiller (que  havia sido convidado pela Paramont para dirigir a trilogia O Poderoso Chefão, mas acabou desistindo para dirigir Love Story) não podia ser mais ágil, dinâmica e profissional. O diretor consegue explorar com perfeição a carga emocional das cenas mais fortes do filme, deixando ainda, para as menos pretensiosas, todo o frescor e simpatia necessários.

A edição de Robert C. Jones também é um triunfo. Com um número excessivo de cenas, seria quase impossível ordená-las, de maneira que a idéia central da produção não se perdesse. Mas o contraponto do roteiro, que parte de momentos felizes para descambar em acontecimentos desastrosos, é trabalhado de maneira convincente e também envolvente nas mãos de C. Jones. É importante destacar o trabalho de dois coadjuvantes magníficos: John Marley (indicado ao Oscar), como o tio atencioso e agradável de Ally McGraw, e Ray Milland, como o amargo e sovina pai de Ryan O’Neal.

Quando lancei uma lista de melhores filmes românticos, há alguns meses, aqui no A Grande Arte, ainda não havia assistido Love Story. Se fosse possível modificá-la, certamente haveria um lugar cativo para essa singela e emocionate produção, merecedora de todos os aplausos que recebeu – seja pelo sempre emotivo público ou pela implacável (e nem sempre justa) crítica especializada.

NOTA: 8,0 

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Dr. Jivago

Setembro 21, 2008 at 1:57 am (Tenho em casa)

Quem acha Dr. Jivago (1965) um filme superestimado, ou mesmo dono de mais fama do que realmente merecia, não está completamente equivocado. Este épico de imensas proporções, dirigido por David Lean tem, em resumo, apenas três coisas imperdíveis: a fotografia extraordinária, a beleza estonteante de Julie Christie no auge do sucesso, e a trilha sonora inebriante, com destaque absoluto para o inesquecível Tema de Lara.

A história se passa durante a Revolução Russa, e se estende ao longo dos anos, acompanhando a vida de dois personagens muito complexos – e profundamente mal aproveitados pelo roteiro de Robert Bolt: Iury Zhivago, que dá o nome ao filme, e Lara, a jovem e apática paixão do protagonista. Com vidas paralelas, que vão se cruzando pouco a pouco, a idéia central da produção, que certamente deveria ser a força do amor entre os dois jovens russos, acaba em uma gelada e indiferente viagem, na qual você aprecia apenas a paisagem mas se sente incapaz de torcer ou mesmo aturar os conflitos que hora ou outra surgem diante dos olhos.

A direção de David Lean é correta, e o uso de imagens panorâmicas, explorando ao máximo a beleza das regiões montanhosas da Rússia – antes e durante o inverno – é relamente um espetáculo imperdível. Mas o trabalho do mestre Lean não chega a empolgar muito, ainda mais se comparado à epopéia audaciosa (mas cansativa) que ele criara dois anos antes, o premiadíssimo Lawrence da Arábia. Há, é claro, momentos de grande deleite visual, como a travessia do trem de exilados pelos Montes Urais, magnificamente fotografada e dirigida; cenas em que Dr. Jivago recorda a imagem de Lara, sonhando romanticamente num campo de flores amarelas, até que elas se coalesçam e criem o rosto da amada; sequências de guerra, que se observadas hoje causam estranheza, mas dada a época de produção reafirmam-se como um trabalho estupendo. Porém fica apenas nisso: momentos de destaque em meio à uma direção que parece perder as estribeiras logo nos momentos iniciais. 

É no trabalho do fotógrafo Freddie Young que mora o verdadeiro espetáculo. Dr. Jivago é um dos filmes mais bem fotografados de toda a história, não apenas por seus recursos inovadores, mas por todo profissionalismo de Young, duas vezes vencedor do Oscar. Outro grande trunfo é a música do mestre Maurice Jarre. Seu Tema de Lara é fabuloso, e faz parte da memória do cinema, indubitavelmente. Já em termos de atuação, não destacaria nenhuma em especial – embora Omar Shariff (no papel do complexo Jivago) consiga atrair alguma empatia. Já Julie Christie, como a também complexa Lara, arranca mais suspiros por sua beleza do que propriamente aplausos por seu talento (lembrem que neste ano ela ganhou o Oscar de melhor atriz por Darling – A Que Amou Demais).

Enfim, Dr. Jivago, apesar de considerado um dos 100 mais importantes filmes da história do cinema (motivo por qual eu comprei o DVD, mesmo sem ter assistido), ainda fica devendo um pouco mais. Na verdade, se me perguntarem se eu o recomendo, a resposta é muito simples: se você está a procura por um filme que lhe faça bem aos olhos e aos ouvidos, mas que possa, fatalmente, aborrecer-lhe por motivos colaterais, assista. Se não se preocupa tanto com estes dois sentidos ao escolher um programa, procure outra produção de David Lean. Será mais satisfatório.

NOTA: 7,0  

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Setembro 20, 2008 at 1:54 pm (Blog)

Depois de um longo mês de dedicação exclusiva para a faculdade – acho que muitos sabem que formo no fim do ano e os compromissos vêm se acumulando por isso – estou de volta ao meu querido espaço, o blog A Grande Arte. Quero me desculpar por não aparecer com frequência nos outros blogs (e peço, por favor, que me entendam). Terminei ontem a parte de campo do meu trabalho de conclusão de curso, e agora a ordem é colocar tudo no papel – e concluir a temível monografia. Neste ínterim, o dever maior me chama: e a partir de agora, tenho a honra de ligar-me novamente à comunidade de blogueiros.

Um grande abraço a todos!

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