Minhas desculpas…

Estou tentando, eu juro… Mas anda impossível, sim, impossível atualizar o blog com a frequência que eu gostaria… Por enquanto, e somente por enquanto, eu me dispeço de todos vocês. A faculdade está no fim e todos os fatores intrínsecos a isto – formatura, monografia, provas finais, busca insana por emprego, e festas com os amigos – ocupam 100% do meu dia. Um abraço a todos vocês e até breve!
I WILL BE BACK! I SWEAR!
Ao Entardecer

É sempre recompensador aquele filme que, massacrado pelos críticos em seu país de origem, ainda consegue arrancar aplausos da platéia, que curiosamente vai contra a maré. Em Ao Entardecer é possível perceber isso: que nem sempre os profissionais que assinam críticas devem ser levados a sério; ou que pelo menos nós, espectadores, precisamos dar uma chance para nosso próprio senso crítico.
A história, baseada no best seller homônimo de Susan Minotti, narra a história de Ann (Vanessa Redgrave), uma velha senhora que vive com as duas filhas (Natasha Richardson e Toni Collete). Já à beira da morte, ela coloca em evidência trechos de seu passado, contando-os em pedaços muitas vezes desconexos ao entendimento das duas filhas. Mas é em meio ao desconhecido que elas são apresentadas à forte história de amor e amizade que se deu entre a mãe e Lila (Meryl Streep), uma amiga de longa data, e os momentos tristes e trágicos que ambas dividiram.
Regido magistralemente por oportunos e esclarecedores flashbacks, o roteiro é extraordinário. Talvez eu seja tendenciado a adorar histórias deste tipo, que envolvem fortes dramas afetivos e que terminam como uma verdadeira e poderosa aula de autoconhecimento, mas o trabalho de Michael Cunningham é simplesmente arrebatador. A forma com que os acontecimentos surgem, desde o princípio, quando Ann (interpretada na juventude por Claire Danes) aceita ser madrinha de casamento de sua grande amiga Lila ( é a filha de Meryl Streep, Mammie Grummer, que a interpreta quando jovem), é fascinante, especialmente pela leveza e simplicidade. Diante de diversos assuntos inacabados de seu passado, Ann se vê presa num grande dilema, ao sentir uma súbita e inesperada paixão por um antigo amor de Lila, Harris.
Nada de moralismo nem tampouco pieguices, posso garantir. Ao Entardecer é um exemplo prático de filme que tem suas pretensões, mas nunca chega à insistência; não defende um ponto de vista específico, de maneira que nós mesmos colocamos uma opinião sobre o que de fato ocorreu na vida das duas amigas. A direção inteligente e dinâmica de Lajos Koltai nos faz pensar na vida; no que escolhemos e abdicamos durante a construção do nosso destino – pois o ser humano é que faz sua própria história. Ao Entardecer deixa isto bem claro. Sempre existirá espaço para o arrependimento, mas também há um lugar de honra para a sensação de que tomamos, sim, a decisão certa.
NOTA: 7,5 ![]()
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