I Watched… I Cried (1)

Fevereiro 28, 2009 at 10:41 pm (I Watched... I cried)

Vou inaugurar esta categoria no A Grande Arte para mostrar aos amigos blogueiros em quais momentos da minha carreira cinéfila eu simplesmente não me segurei – e vi meu rosto lavado em sinceras lágrimas. Podem ir se preparando, porque o ocorrido é constante – e por diversas vezes eu chorei como uma criança – portanto este espaço será atualizado com muita frequencia.

Para abrir esta categoria com chave de ouro, uma cena do filme O Lutador, de Darren Aronofski. Nenhum obstáculo conseguiu frear um rio de lágrimas, quando, aos prantos, o personagem Randy Robinson (Mickey Rourke) pede à filha (Evan Rachel Wood) que não o odeie – e tente esquecer o passado.

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Rio Congelado

Fevereiro 28, 2009 at 4:05 pm (Críticas, Filmes: Courtney Hunt)

Não há dúvidas quanto à qualidade do trabalho de Courtney Hunt em frente ao roteiro de Rio Congelado, embora grande parte de sua estrutura se apóie em assuntos basicamente repetitivos. O mérito está nos detalhes, que transformam algumas passagens (aparentemente simples) em momentos brilhantes. Melissa Leo segura boa parte do filme, em seu primeiro papel realmente expressivo, e com a imprescindível colaboração da novata Misty Upham, transforma Rio Congelado numa boa escolha entre tantas opções dispensáveis.

Ray Edd (Leo) acaba de ser abandonada por seu marido, um homem viciado em jogos. Ele desapareceu com dinheiro e deixou dívidas. Não bastasse tantos transtornos, ela ainda tem que lidar com a inquietude de seu filho adolescente e sustentar, além deste, um outro filho menor. Recebendo pouco por seu trabalho numa loja de conveniências, ela se vê diante da possibilidade de auxiliar uma índia Mohawk (Upham), que vive como atravessadora – trazendo imigrantes ilegais do Canadá para os Estados Unidos através do Rio Saint Lawrence, que na época determinada encontra-se congelado.

Há momentos em que Courtney Hunt brilha enquanto roteirista, dosando com sabedoria os melodramas – e atentando para uma execução enxuta e liberta do pieguismo. Mas a essência é fraca e chega a comprometer o todo. Também diretora da película, Hunt conduz a fita de maneira despreparada (evidenciada no amadorismo de sua direção) e deixa que seu trabalho irregular em frente às câmeras ofusque boa parte do roteiro. A vantagem está na sensibilidade da estreante ao desenvolver o universo feminino, o que evita maneirismos típicos de diretores do sexo masculino ao tratar de um ambiente que não lhes pertence. O desespero das personagens centrais (sim, Leo não é a mulher deste filme) é evidente – levando-as aos extremos para atingir seus objetivos, que são de fato, intimamente relacionados às suas famílias. Tal constatação (de ir até a última instância pelo bem dos filhos) dificilmente seria transferida às telas de maneira digna se o diretor de Rio Congelado não atendesse pelo nome de Courtney Hunt.

Sem dúvida Rio Congelado vale o ingresso, especialmente pelos momentos de brilhantismo – como o desfecho absolutamente inovador. Mas não há nada que justifique tanto alarde sobre a película – já que o filme foi o grande vencedor do Festival de Sundance do ano passado, arrebantando o prêmio principal da festa. Por instantes a produção (auxiliada pelas boas interpretações e roteiro conciso) atinge um patamar elevado, mas pode ser classificada, na íntegra, como algo tímido e cheio de hesitações.

Frozen River – EUA– 2008 – Direção: Courtney Hunt – Elenco: Melissa Leo, Misty Upham, Michael O’ Keffe, James Reilly – 96 min – Gênero: Drama

 NOTA: 7,0 

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A Escolha de Sofia

Fevereiro 27, 2009 at 8:37 am (Críticas, Filmes: Alan J. Pakula)

O filme que deu o primeiro Oscar de Melhor Atriz à Meryl Streep, em 1982, é mais um representante do Holocausto no cinema moderno, ainda que sua essência seja o pós-guerra e todas as feridas deixadas pelo Nazismo. Interpretando uma polonesa, moradora do Brooklyn em 1947, Meryl rouba a maioria das cenas e prova mais uma vez sua imensa capacidade de atuar.

Libertada pelos russos e um campo de concentração nazista, e emigrada para os Estados Unidos, Sophie Zawistowska divide agora, um quarto de pensão com um judeu americano, Nathan (interpretado brilhantemente por Kevin Kline, em seu primeiro papel no cinema). Ao conhecerem casualmente Stingo (Peter MacNicol), um novo vizinho, ambos vão confrontando seus segredos mais obscuros, e dividindo angústias e sonhos com o novo amigo. Há uma ambiguidade atroz nas atitudes do casal (especialmente Nathan), o que vai trazendo à tona boa parte do sofrimento de ambos, enquanto Stingo divide seu tempo entre escrever um livro e ouvir as confidências de Sophie.

Baseado no livro homônimo de William Styron, A Escolha de Sofia apresenta ótimos pontos além das interpretações afinadíssimas. A fotografia de Nestor Almendros é particularmente ótima, e junto à trilha sonora, figurinos e o próprio roteiro (adaptado por Alan J. Pakula), receberam indicações ao Oscar. Pakula, aliás, assumiu a produção e a direção do filme – esta que desenvolve com notável requinte, mas que peca pela extrema lentidão. Aparentemente desconexo em sua meia hora inicial, o filme assume uma posição clara logo em seguida, revelando ao espectador pedaços de um imenso quebra cabeça. Ao fim, o roteiro culmina na surpreendente escolha de Sofia. Nem me atrevo a detalhar qual foi esta escolha e as razões que levaram a ela, pois, caso contrário, metade do filme estaria comprometida.

Considerado por alguns como um longa de atuações (Kline também levou um Globo de Ouro, como Revelação Masculina), A Escolha de Sofia consegue transcender esteriótipos, desenvolvendo com perfeição o vazio instaurado na mente da sociedade pós guerra. Fantasmas assombram os personagens a cada instante, e mesmo que por vezes todos tentem escapar da ação danosa do passado, ele permanece ali, dilacerando toda a felicidade – e determinando que caminho seguir.

Sophie’s Choice – EUA– 1982– Direção: Alan J. Pakula – Elenco: Meryl Streep, Kevin Kline, Peter McNicol, Rita Karin – 150 min – Gênero: Drama

 NOTA: 8,5 

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Cena de Cinema (2)

Fevereiro 26, 2009 at 7:09 am (Cena de Cinema)

A sequência final de Segundas Intenções, segunda adaptação do livro francês Ligações Perigosas, de Chordelos de Laclos. Além do filme representar uma das minhas paixões de adolescência, ainda traz a inesquecível canção Bitter Sweet Simphony, do grupo britânico The Verve. Ótima oportunidade para ver (e respeitar) o talento de Ryan Phillipe, Reese Whiterspoon, Selma Blair e Sarah Michelle Gellar.

‘Cause it’s a bittersweet symphony, this life/Try to make ends meet/You’re a slave to money then you die/I’ll take you down the only road I’ve ever been down/You know the one that takes you to the places/where all the veins meet yeah,/No change, I can change/I can change, I can change/But I’m here in my mold/I am here in my mold/But I’m a million different people from one day to the next/I can’t change my mold/No, no, no, no, no… (letra completa)

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Milk – A Voz da Igualdade

Fevereiro 24, 2009 at 6:47 pm (Críticas, Filmes: Gus Van Sant)

É bom perceber mudanças em Hollywood, já que há alguns anos atrás, um filme como Milk – A Voz da Igualdade, dificilmente receberia tantas ovações por parte da crítica especializada. Apoiando com extrema lealdade a causa a qual se propõe, o filme encanta principalmente pelo realismo, já que não se prende em clichês e muito menos em hesitações. Milk não diminui a marcha na subida. Ele tem pressa. E, abusando da ousadia e da veracidade, acaba chamando a atenção.

Ícone político, Harvey Milk assumiu abertamente sua homossexualidade em meados da década de 70, até que, enfrentando adversários políticos (e amargando algumas derrotas) assumiu um importante cargo na cidade de São Francisco. Este seria o primeiro passo para que alcançasse um espaço no Senado Americano, e levasse consigo, os interesses de milhares de homossexuais à bancada do governo. Milk foi um daqueles políticos poucas vezes visto, que jamais se envergonhou de levantar sua bandeira e arrebatar o maior número de seguidores – por uma causa que milhões de cidadãos americanos considerava perdida. Seria impossível levar uma história tão documental ao cinema se não se dispusesse de um roteirista habilitado, um diretor competente e, principalmente, de um elenco disposto a entregar-se de corpo e alma. Em Milk – A Voz da Igualdade existe a coalescência perfeita entre estes três eixos – o que culmina num material rico, interessante, ousado e profundamente profissional. 

Vencedor do Oscar por seu roteiro, Dustin Lance Black não se preocupa em mitificar Harvey Milk. Pelo contrário. Por vezes ele mostra a fragilidade de um homem que tinha certa dificuldade em compreender seus ideias – mas sem nunca deixar de lutar por eles. Morto em 1978 por um político adversário (interpretado comedidamente por Josh Brolin), Harvey deixou um legado de aceitação e auto-conhecimento para diversos homossexuais, e dentro desta proposta, Lance Black o transforma em uma espécie de profeta - repleto de seguidores em busca de amparo. Nada disso seria verossímil sem uma atuação visceral e irreverente. Sean Penn cuida disso com extrema felicidade. Ganhadora do Oscar, sua performance não se destaca apenas como a mais completa do ano, mas se enquadra entre as melhores já vistas no cinema, sem exageros. E não se prenda nesta expectativa, pois apesar de Penn, Milk – A Voz da Igualdade consegue ir além. Magnificamente filmado pelo excepcional Gus Van Sant (que se meteu em alguns erros perdoáveis durante a carreira), o longa atinge a veracidade principalmente por suas mãos. Cada enquadramento é perfeito, e as cenas de manifestação são simplesmente estupendas. Some isto aos demais pontos citados durante o texto (adicionando a trilha de Danny Elfman e o desempenho triunfal de um elenco secundário) e encontrará a essência de Milk.

Antes de tudo, bem verdade, é importante despir-se de preconceitos. A película não foi feita para olhos de julgo, ela foi desenvolvida para provocar reflexão. Em tempos de afirmação pessoal e aceitação das diferenças, Milk – A Voz da Igualdade revela-se como o filme mais pertinente do ano. E é dentro deste prisma que você, independente da opção sexual, pode gostar do filme. Além de sua causa explícita, ele encontra espaço para falar de valores – algo que toda a sociedade está precisando.

Milk – EUA– 2008 – Direção: Gus Van Sant – Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, James Franco, Josh Brolin, Diego Luna – 128 min – Gênero: Drama

NOTA: 8,0 

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