Últimos Filmes em DVD
PLANO DE VOO, de Robert Scwenke [2005]
NOTA: 5,0 ![]()
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Uma mulher (vivida pela ótima Jodie Foster) percebe o sumiço da filha de cinco anos durante um voo para Nova Iorque. Acreditando que a menina possa estar dentro do aeroplano (mesmo que nada evidencie isto), a mulher irá às últimas consequências para provar que não possui nenhum tipo de distúrbio psíquico (embora toda a tripulação e passageiros pensem o contrário). Com uma premissa extremamente interessante, Plano de Voo sofre uma queda brusca de qualidade e rendimento na segunda metade, sepultando o clima de mistério e misticismo para converter-se num mero filme de ação gratuita. Nem mesmo o ótimo elenco (encabeçado por Foster e Peter Sarsgaard) consegue manter a atmosfera inquietante do primeiro ato, fazendo deste filme um exemplar de ótimas intenções – mas de péssimos resultados.
UMA NOITE NO MUSEU , de Shawn Levy [2006]
NOTA: 6,0 ![]()
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Ben Stiller é acostumado com todo o tipo de comédias (resvalando entre aquelas realmente divertidas e aquelas caricatas e previsíveis). Em Uma Noite no Museu, ele vive um típico “looser”, que não se estabelece em nenhum tipo de emprego – e para piorar, convive com a frustração de não ser um pai ideal para seu pequeno filho. Quando ele decide arrumar um trabalho (visando impressionar o filho e a ex-mulher), acaba como vigia noturno de um Museu de História Natural. O que ele não imaginava (e que a direção do museu tenta esconder) é que todas as estátuas de cera, múmias e ossadas do local simplesmente ganham vida à noite. Com um roteiro que abusa da originalidade, Shawn Levy conseguiu imprimir sua característica na direção: o clima é leve e descontraído, alicerçado numa história repleta de piadas (nem tão engraçadas) e sentimentos nobres. O que realmente impressiona são os efeitos especiais, bem inseridos dentro de cada situação. O desenrolar e o desfecho (muito previsíveis) podem irritar facilmente, mas, mesmo assim, Uma Noite no Museu consegue se impor como um bom passatempo.
NUMA NOITE ESCURA, de Tom McLoughlin [1983]
NOTA: 5,0 ![]()
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Todos sabem que os filmes de terror da década de 1980 (apesar de risíveis por vezes) ficam marcados na memória de quem os assiste. Este Numa Noite Escura corresponde muito bem à corrente. Conta a história de um grupo de meninas que possuem uma irmandade, e que admite novos membros através do cumprimento de algumas tarefas. Para que a tímida Julie seja integrada à equipe, é preciso que ela passe uma noite, sozinha, dentro de um sinistro mausoléu. O que ela não sabe (nem as outras moças, que mais tarde tentarão assustá-la) é que um famoso telecinético, assasino de mulheres, está enterrado naquele local. Imbecil ou não, o filme consegue construir um divertido (e ao mesmo tempo macabro) clima de tensão. A câmera de McLoughin explora cada corredor do mausoléu, aumentando a sensação de isolamento e claustrofobia. O longa possui ótimos momentos (especialmente àqueles em que vários mortos saem de suas tumbas), mas se perde com um desfecho abrupto e previsível.
CONDUZINDO MISS DAISY, de Bruce Beresford [1989]
NOTA: 6,0 ![]()
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Talvez Conduzindo Miss Daisy seja, para mim, um dos piores filmes (senão o pior) a ganhar um Oscar principal. Até hoje me intriga profundamente o fato de ótimos filmes como Nascido em 4 de Julho e Cinema Paradiso saírem sem a estatueta em detrimento de um longa óbvio e cheio de trivialidades. Contando a história de uma velha viúva judia, moradora da Geórgia, que após estragar seu carro, passa a ter um motorista negro, o filme explora de maneira superficial o preconceito da região sul dos EUA (ao contrário do que muitos dizem). A começar pelo roteiro enxuto, que desenvolve pouquíssimas situações realmente interessantes acerca do tema. Nem mesmo a amizade entre a mulher (vivida pela ótima Jessica Tandy) e seu motorista (um esfuziante Morgan Freeman) é tratada com ternura suficiente para emocionar. O filme é apenas um relato frio e distante de dois seres humanos distintos de cor e idênticos em caráter e convicções.
AUSTRALIA, de Baz Luhrmann [2008]
NOTA: 5,0 ![]()
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Vendido pela produtora como o novo …E O Vento Levou, Austrália não passa de um rascunho de épico. Explora com maestria os recursos digitais da atualidade, o que acaba escondendo (ou apenas maquiando) suas graves imperfeições. A começar pela história batida (mulher delicada apaixonada por aventureiro galante), o filme reserva uma porção de cenas dispensáveis (vide a sequência da boiada no desfiladeiro, que acabam pesando na duração, que passa de 2h30min). Há ainda um garotinho insuportável, que fica gritando o nome do personagem de Hugh Jackman à cada segundo de maneira muito estridente (este, aliás, só chega na fazenda de Nicole Kidman conduzindo um número assustador de cavalos). Diante de tanto clichê, Australia não consegue ultrapassar a barreira do passatempo, quando não enfada antes da primeira hora.
JOHNNY E JUNE, de James Mangold [2005]
NOTA: 8,5 ![]()
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É incrível como o diretor James Mangold conseguiu dar à Johnny e June um status de qualidade incontestável – auxiliado principalmente pelo desempenhos inesquecíveis de Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. O filme relata toda a vida de Johnny Cash, um cantor country de enorme sucesso nos EUA da década de 1950, que chegou a dividir palco com o mito Elvis Presley. Sempre acompanhado de sua esposa June Carter (vivida por Reese, vencedora do Oscar de atriz, não necessariamente merecedora), Johnny enfrentou sérios problemas com drogas e álcool, o que quase levou-o à morte (não fosse a presença salvadora de sua esposa, a quem ele acabou devotando grande parte de sua vida). Com números musicais excepcionais e muito vibrantes, como Jackson, Ring of Fire e It Ain’t Me Baby (alguém sabe porque o Phoenix não ganhou o Oscar?), a película consegue manter-se na memória não somente pelo lado musical, mas também pelo forte apelo dramático e cômico.
VOO NOTURNO, de Wes Craven [2005]
NOTA: 4,0 ![]()
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Outro filme que parte de uma ótima premissa (explorando um ambiente de muito mistério) e termina numa longa sequência de ação gratuita e malfadada. Quando a bela Rachel McAdams, que morre de medo de avião, toma um aeroplano de volta para sua casa, conhece um homem estranho e galanteador (interpretado pelo excelente Cillian Murphy). Mal podia ela imaginar que o rapaz tem o plano de assassinar um político que está hospedado no hotel onde ela trabalha – e caso ela se recuse a cooperar, os comparsas do assassino irão livrar-se do pai da moça. Antes do espectador perceber quais são as reais intenções de Murphy, o filme abusa de uma atmosfera inquietante e curiosa, que quase beira a perfeição. Após a primeira metade, porém, a película consolida-se como um simples filme de suspense, de uma narrativa acelerada e com incompreensíveis reviravoltas.
Famosos de Época

1) Scarlett Johansson e Jim Carrey

2) Scarlett Johansson e Drew Barrymore

3) Natalie Portman e Arnold Schwarzenegger

4) Mel Gibson e Clint Eastwood

5) Carmen Electra e Leonardo Dicaprio

6) Demi Moore e Johnny Depp
Veja mais adaptações aqui.
O Maior Espetáculo da Terra

Considerado por muitos como o pior filme a ganhar o Oscar principal, O Maior Espetáculo da Terra definitivamente não merce este título. Concebido pelo fantástico diretor Cecil B. DeMille, o filme é uma deliciosa homenagem aos espetáculos circenses, e explora com muito charme as apresentações e performances dos artistas de picadeiro.
A história baseia-se principalmente nos personagens de Charlton Heston (que é o dono do circo) e Betty Hutton (que interpreta sua namorada trapezista). A moça é a atração principal do espetáculo, pois ocupa o picadeiro central. Mas a chegada de um famoso trapezista, o Grande Sebastian (vivido por Cornel Wilde), a moça perde o posto de “melhor artista”. Convicta de que odeia Sebastian, a moça irá descobrir-se, na verdade, apaixonada pelo mesmo – despertando mais tarde o ciúme de Heston. Esta intrincada história de amor serve como pano de fundo para que Cecil DeMille explore toda a magnitude do palco circense. E a grandiosidade do espetáculo é impressionante. Animais executando números surpreendentes, palhaços exibindo carisma e figurinos engraçadíssimos (um deles, inclusive, é vivido por James Stewart), trapezistas dispostos a surpreender com apresentações de tirar o fôlego, mágicos, videntes, ciganos, enfim, tudo o que existe de bom nos picadeiros.
Essa atitude de explorar o ambiente do circo com riqueza de detalhes provocou muitas críticas ao filme, mas, convenhamos, quem gosta de circo (ou mesmo de um cinema contemplativo) dificilmente sairá imune de O Maior Espetáculo da Terra. Há ainda a magnífica sequência final, que mostra um desastre envolvendo dois trens – sendo um deles o que serve de transporte para os integrantes do circo. Bem verdade, é que a película mexe com nossas sensações de diversas maneiras – é difícil dizer que não nos remete aos tempos de criança, quando enxergávamos os artistas mambembes como verdadeiros heróis. O filme foi feito única e exclusivamente para retomar este sentimento do público (note quantas vezes DeMille foca sua câmera nos rostos deslumbrados de sua platéia), já que a história em si é muito simples e não apresenta grandes recursos dramáticos. Mas o longa é, antes de mais nada, o vencedor do Oscar 1952 (ano em que tínhamos Cantando na Chuva e Matar ou Morrer entre os indicados) e por isso merece, no mínimo, a chance de ser visto. Se você vai amá-lo ou odiá-lo, aí serão outros quinhentos. Vou logo avisando que gostei. E muito.
The Greatest Show on The Earth – EUA – 1952 – Direção: Cecil B. DeMille – Elenco: Charlton Heston, Betty Hutton, Cornel Wilde, James Stewart – 152 min – Gênero: Drama
NOTA: 8,0 ![]()
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Gandhi

O diretor Richard Attenborough levou cerca de 20 anos para viabilizar e concluir o filme Gandhi, projeto pessoal surgido após um profundo estudo sobre o famoso profeta. O cuidado da produção é evidente em cada tomada, com escolhas acertadíssimas de locações e elenco, mas o didatismo excessivo e a direção acadêmica comprometem o resultado final, transformando Gandhi em mais um filme que sofre por excesso de estima.
Mahatma “Grande Espírito” Gandhi é conhecido como um dos mais extraordinários seres humanos já existentes, graças à sua ferrenha luta pelos direitos dos cidadãos indianos numa época em que o páis ainda sofria os efeitos da colonização britânica. Mas este aclamado projeto, vencedor de 9 estatuetas do Oscar 1983, vai muito além das demonstrações de humanismo de Gandhi. O roteiro explora momentos pouco conhecidos de sua trajetória, mostrando não apenas sua preocupação com as desigualdades sociais e o com o poderio do imperialismo sobre todas as colônias inglesas – mas retratando também diversos problemas pessoais do homem. O roteiro, porém, decola após o momento em que Gandhi se despe de todos os seus conceitos tradicionais para transformar-se numa espécie de profeta, arrebanhando milhões de compatriotas em favor de sua causa.
O ritmo do filme, em suas três horas de duração, é comprometido seriamente pela direção quase estática (e muito maneirista) de Attenborough. O diretor tenta captar, paulatinamente, toda a revolta que surge na mente de Gandhi (iniciada assim que o mesmo é expulso da primeira classe de um trem por ser considerado “de cor” pelos comissários de bordo); mas Attenborough comete o erro típico de muitas biografias levadas ao cinema: faz do ritmo algo quase documental. Diante desta séria limitação (que faz da película algo por vezes enfadonho), quem se destaca é a fotografia (de Ronny Taylor e Billy Williams) que captura imagens monumentais das paisagens indianas; a figuração, já que que mais de 200 mil figurantes compuseram a cena do funeral de Gandhi, e outros 100 mil reconstituíram a famosa cena à beira mar, em que o profeta defende a ideia de que o sal marinho não é propriedade do império; e claro, Ben Kingsley (vencedor do Oscar), numa curiosa e contida performance, que impressiona principalmente pela caracterização e pelo tom exato de sentimentalismo. Quem conhece um pouco da história de Gandhi, sabe que ele era um homem que pregava a paz (mesmo que seus seguidores interpretassem, muitas das vezes, a luta contra o imperialismo como uma disputa de sangue, e não de ideais). A voz suave e os trejeitos bondosos de Mahatma Gandhi são fielmente reproduzidos por Kingsley, nesta que é uma de suas melhores atuações (outro grande desempenho viria 20 anos mais tarde, em Casa de Areia e Névoa).
Um personagem tão fascinante merecia mesmo um filme à altura de sua importância. Por todo o século XX, Gandhi foi considerado um exemplo de humanismo e caráter, a ser seguido e ovacionado num período em que o capitalismo e a desigauldade social falavam mais alto. Albert Einstein já havia dito “que poucos acreditarão que um ser humano como este, em carne e osso, passou pela Terra”. Richard Attenborough conseguiu fazer uma bela homenagem à Gandhi, e apesar dos sérios problemas de ritmo, o filme atinge seu propósito com precisão – e nos abre os olhos para a construção de um mundo melhor.
Gandhi – ING – 1982 – Direção: Richard Attenborough– Elenco: Ben Kingsley, Richard Griffiths, Candice Bergen, Martin Sheen – 188 min – Gênero: Drama
NOTA: 8,0 ![]()
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Disque M Para Matar

Considerado por alguns críticos como um filme menor do mestre Alfred Hitchcok, Disque M Para Matar, é na verdade, um ótimo exemplar de seu gênero. Adaptado por Frederick Knott de uma peça de sua própria autoria, o filme explora com louvor a claustrofobia de um pequeno apartamento, ao mesmo tempo que desenvolve uma trama macabra de asassinato.
Quando o personagem de Ray Milland descobre estar sendo traído, decide livrar-se de sua esposa, só que de maneira nada convencional. A separação não lhe é vantajosa, visto que a mulher (vivida por Grace Kelly) é muito rica, e ele, beneficiário imediato de sua morte. Um assassinato por encomenda é a saída mais plausível para atingir seus interesses, e o homem, decidido a dar cabo da esposa, chantageia um antigo colega de faculdade para que ele cometa o crime perfeito. Já é possível imaginar que o plano não sai conforme o previsto, e uma reviravolta inesperada põe em risco os interesses de Milland.
Ao melhor estilo Agatha Christie, com ótimo clima de mistério e diálogos impressionantes, Alfred Hitchcock faz de seu espaço (constituído basicamente de dois cenários) ambientes suficientes para demonstrar o talento habitual. Mesmo que não tenha provocado mudanças visíveis no roteiro original (surgido da peça), coisa muito comum em outros trabalhos, Hitchcock conseguiu capturar perfeitamente a ideia de Knott – sem deixar que o efeito teatral comprometesse a atmosfera mórbida e inquietante presente em outros filmes que dirigiu. Dispondo também da beleza magnânima de Grace Kelly (que apesar da atuação mediana, encontra o tom exato próximo ao final) e da presença imponente de um cínico e talentosíssimo Ray Milland, Disque M Para Matar mostra-se tão envolvente e memorável quanto a maioria dos celebrados filmes hitchcocknianos. Como os demais, acaba transcendendo a obviedade do assassinato e revelando aspectos da personalidade dos envolvidos – que resvalam entre o ressentimento, a falsidade e o ódio.
Há uma refilmagem pouco fiel e infinitamente pior, realizada por Andrew Davis em 1998, e titulada Um Crime Perfeito. Ray Milland e Grace Kelly foram substituídos por Michael Douglas e Gwineth Paltrow, uma dupla bastante questionável. E, utilizando do título desta refilmagem, é possível resumir Disque M Para Matar: um roteiro que tenta trazer à tona um crime perfeito, e que, ao explorar as falhas de seu personagem central, revela uma trama ainda mais grandiosa (que se simplesmente mostrasse um plano infalível).
Dial M For Murder – EUA – 1954 – Direção: Alfred Hitchcock – Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, Anthony Dawson – 105 min – Gênero: Suspense
NOTA: 8,0 ![]()
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